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	<title>Vozes de Manguinhos &#8211; Manguinhos On-line</title>
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	<description>Jornalismo comunitário feito em Manguinhos</description>
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		<title>Vozes de Manguinhos #6 – Letícia Alves</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Adriano Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Aug 2026 19:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[História e memória]]></category>
		<category><![CDATA[Juventudes]]></category>
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					<description><![CDATA[Entre memórias, pertencimento e cultura, Letícia Alves fala sobre sua trajetória e os caminhos para preservar e fortalecer as histórias de Manguinhos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Memória, cultura e pertencimento atravessam a trajetória de Letícia Alves.</strong> Nascida e criada na Vila Turismo, em Manguinhos, ela é estudante de Museologia na UNIRIO, pesquisadora, escritora e atua em diferentes iniciativas ligadas à preservação e à valorização das histórias e dos saberes do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta edição do <em>Vozes de Manguinhos</em>, Letícia fala sobre sua relação com o lugar onde cresceu, as mudanças na forma como passou a compreender sua própria identidade e a importância de moradores e favelas participarem da construção das narrativas sobre suas histórias. Entre lembranças, afetos e experiências, ela nos convida a olhar para Manguinhos também a partir de sua memória, de sua cultura e dos conhecimentos produzidos por quem vive o território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. <strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu nome é Letícia Alves, tenho 28 anos e sou nascida e criada em Manguinhos, mais especificamente da Vila Turismo. Minha família materna veio de Natal, Rio Grande do Norte, e minha mãe Adélia chegou em Manguinhos aos 9 anos com minha avó Helena e seus 6 irmãos. Com o tempo minha avó e alguns dos meus tios voltaram pro RN, mas nós continuamos aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estou cursando Museologia na UNIRIO, sendo a primeira mulher da família a entrar na universidade, e no momento estou fazendo muitas coisas, e quase todas (senão todas), perpassam o território.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sou bolsista IC- Manguinhos da Fiocruz, um programa de Iniciação Científica da instituição voltada para Manguinhos. Sou orientada pela Dra. Liane, e junto dela e da equipe (que continha psicólogos, comunicadores, antropólogos, etnógrafos, e eu, graduanda em Museologia) trabalhamos na pesquisa de Modos de brincar e cuidar de crianças, na qual visava compreender como as brincadeiras podem influenciar no desenvolvimento psicomotor e social, que brincadeiras ainda se mantinha, quais saíram, como as telas está afetando o desenvolvimento e como as brincadeiras afetam as relações das crianças entre si, com os responsáveis e com o ambiente que estão inseridos. Nesta pesquisa trabalhei o conceito de divulgação científica alargada ao fazer uma exposição com os desenhos e fotos das crianças brincando, mostrando o desenvolvimento delas, as relações construídas e as visões dos pequenos sobre o trabalho realizado. Os responsáveis, os médicos e as crianças puderam ver o quanto é bom o ato de brincar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Trabalho também no Ecomuseu de Manguinhos, que faz parte da Rede CCAP, como bolsista, para a construção de um acervo e exposição contando a relação da rede e do território. Pretendemos inaugurar a exposição ainda este ano, no final de setembro.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, mas não menos importante, também sou bolsista de uma pesquisa sobre Saberes Tradicionais de Manguinhos e Maré, que está buscando entender o que é tradicional para esses territórios, que saberes devem ser preservados e valorizados. Nesses dois complexos encontramos, pescadores, quadrilheiros, erveiras, mestres de capoeira, babalorixá. Estamos na etapa de transcrição das entrevistas e o resultado deste trabalho deve ser divulgado ano que vem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bem, dá pra ver que sempre tô envolvida em algo kkkkkk, mas para além da carreira acadêmica, eu também sou escritora. Atualmente decidi oficialmente assinar pelo nome artístico de Letícia Alviéra (junção dos meus sobrenomes), já participei de uma coletânea de poesias, uma coletânea de contos e atualmente estou tentando vencer a procrastinação para terminar o meu primeiro romance que pretendo lançar no máximo ano que vem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. <strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde pequena sou uma pessoa mais introvertida e medrosa, quando criança brincava mais com as crianças do meu beco e não saia muito dele, então no geral não conheço muitas pessoas do território e elas também não me conhecem. Sinto que posso passar a impressão de “metida”, mas sou apenas introvertida mesmo kkkkk, mas acho que essa ideia de “metida” combinaria com o meu eu adolescente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minha relação com Manguinhos nem sempre foi boa, quando criança tive memórias boas apesar das memórias ruins de tiroteios intensos no qual demorei pra me acostumar (sendo que isso nem deveria ser algo normalizado, principalmente tão novo). Durante toda a adolescência tive a fase não querer ser associada a ideia de “favelada”, não gostava de funk, procurava não falar gírias e me vestir de forma que passasse a ideia de “favelada” pois achava que dessa forma eu conseguiria ser lida diferente por pessoas de fora… Aqueles papos besta de “meritocracia”, “não se deixou influenciar pelo ambiente que vive” e blá-blá-blá. Isso tudo caiu por terra pra mim quando com 19 anos, indo pro trabalho às 6h da manhã, e no trajeto que eu iria fazer pra ir pro ponto (ainda dentro da favela) um policial,&nbsp; a no máximo 2 metros de distância, apontou um fuzil pra minha cabeça, de mira e dedo no gatilho. Ele não falou nada, mas estava visivelmente determinado, só tinha ele e eu na rua, fiquei em choque mas dei meia volta e fui pro ponto pelo caminho mais longo enquanto o xingava mentalmente por me fazer chegar atrasada no trabalho,&nbsp; como qualquer CLT faria. Quando cheguei em casa, refleti sobre, e aí caiu a ficha de vez: estava deixando de respeitar quem sou e o meu território para não ser colocada numa caixinha “negativa”, e no final nada disso importava pois sempre seria lida dessa forma. A partir daí passei a olhar com mais afeto para Manguinhos, para os moradores e para mim. Entendi que existem diversas formas de ser favelada e cria, e que nenhuma delas é essencialmente ruim. Pra mim esse dia marcou o “Letícia, criada em Manguinhos” para hoje que considero “Letícia, cria de Manguinhos”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Finalizando com memórias não violentas, tenho (agora que crescida) boas memórias das minhas vizinhas olhando a mim e ao meu irmão para certificar de que estávamos bem e contando pra minha mãe caso nós fizéssemos besteira. As festas juninas na rua do 20. Uma senhorinha (que até hoje não sei o nome) me contando sua história de vida triste e resiliente pra mim na rua do mais completo nada. Tia Nicinha implicando com todo mundo que passava (que Deus a tenha). Eu indo perturbar minha avó (que Deus a tenha também) que fofocava animadamente com as vizinhas no beco. A feira de domingo enorme que tinha na rua do 20 e na estrada de Manguinhos. Acompanhando minha mãe nas aulas da EJA que tinha na Rede CCAP. A diversidade de sons e músicas em cada ponto da favela (e como elas contam o clima do morador e até do território). E por último uma memória saudosista de cinéfila que até hoje não superou o fim da locadora que tinha na Estrada e que até hoje se lembra do cheiro e de andar atrás dos filmes que queria ver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. <strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Com essa pesquisa de Saberes Tradicionais que faço parte, ficou mais evidente para mim o quanto perdemos pessoas e práticas culturais importantes de Manguinhos. É normal, principalmente em favelas que são vivas e estão em constante mudança, que se perca, surjam novas, ou se questione o que é tradicional desses territórios. Em Manguinhos não conseguimos mais achar pessoas que foram benzedeiras, parteiras, rezadeiras e erveiras, que são práticas tradicionais muito ligadas ao cuidado comunitário e que são figuras importantes em muitas favelas, infelizmente na pesquisa vimos que essa falta não é exclusiva de Manguinhos e perpassa por diversos fatores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu desejo é que Manguinhos vire uma efervescência cultural. Quero que nós venhamos valorizar os nossos mais velhos, as pessoas que as profissões estão se perdendo, e que reflitamos sobre resgatar e iniciar novas práticas culturais. Acho que Manguinhos só tem a prosperar em todos os sentidos se abraçar e valorizar essa ideia de ponto cultural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. <strong>Como a sua vivência em Manguinhos influencia a sua atuação?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Já pensei em muitas profissões até escolher de vez a Museologia, sempre pensei em profissões de cuidado social, até que entendi que existem diversas formas de cuidados e que Museologia poderia ser uma forma de cuidado meu com o meu território. Manguinhos é o principal motivo de eu acreditar na Museologia social, de trazer a luz e valorizar memórias e narrativas de sujeitos e povos menosprezados historicamente, e de que museus podem e devem ser espaços diversos, inclusivos e políticos. As favelas devem ter um museu pra ter autonomia em suas histórias, mas também conseguir acessar e se ver cada vez mais como protagonistas nesses espaços culturais tradicionais (centros de memórias, museus e etc)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Museus são ferramentas de poder, eles são lugares de memória e de esquecimento, de vitória e de derrotas de narrativas, e é importante que as favelas e periferias participem, questionem e se façam presente nesses espaços.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como Manguinhense e futura Museóloga, fico feliz de valorizar a cultura, a memória e preservar objetos e histórias para as futuras gerações, e que pela minha origem favelada, sei que serei uma profissional muito mais sensível, empática e comprometida em valorizar, histórias,&nbsp; pessoas e lugares constantemente inferiorizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. <strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Desculpa, acho que já falei o meu maior desejo pro futuro do território na pergunta 3 kkkkkkk.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. <strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acho que torço para que o Complexo de Manguinhos se veja realmente como um complexo e interaja cada vez mais entre si e não somente como Vila Turismo, Mandela, Varginha e etc. Só vamos conseguir ampliar nossa força e luta quando nos reconhecermos como unidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também desejo que a gente seja cada vez mais empático para além da solidariedade do sofrimento (da limpeza das enchentes, das perdas em tiroteios, remoções de casas, das doenças), quero que sempre tenha conversas entre vizinhos, crianças brincando tranquilas nas ruas, e que festejemos juntos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao falar sobre o futuro, Letícia aponta para um Manguinhos que reconheça e preserve suas memórias sem deixar de construir novas histórias. Um território que valorize seus mais velhos, seus saberes e suas práticas culturais, mas que também fortaleça os vínculos entre as diferentes comunidades que formam o Complexo de Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu desejo é que essa união não apareça somente diante das dificuldades. Que Manguinhos também se encontre na vida cotidiana: nas conversas entre vizinhos, nas crianças brincando nas ruas, na cultura, nas celebrações e nos momentos compartilhados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fim, fica uma provocação que atravessa toda a entrevista: <strong>reconhecer Manguinhos como uma história construída por muitas histórias, e fortalecer os caminhos para que quem vive o território também possa preservar, contar e disputar a memória sobre ele.</strong></p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #5: Jayme Cardoso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Adriano Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[Comunicador popular e cria de Manguinhos, Jayme fala sobre memórias da infância, transformações urbanas e a importância da comunicação para valorizar a história, a cultura e as iniciativas do território.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As transformações de um território também podem ser percebidas pelas lembranças de quem cresceu acompanhando suas ruas, construções e paisagens mudarem ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta edição do Vozes de Manguinhos, ouvimos Jayme Cardoso, de 22 anos, estudante de Relações Públicas, comunicador popular e cria de Manguinhos. Morador da Rua 9, onde sua família permanece até hoje, Jayme construiu sua relação com o território entre a escola, as brincadeiras de infância, a antiga estação de trem, a Biblioteca Parque e a convivência com uma vizinhança sempre presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suas memórias também são atravessadas por acontecimentos que transformaram profundamente Manguinhos, como as enchentes que atingem as famílias, as intervenções do PAC e a elevação da estação ferroviária, realizada diante da casa onde cresceu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao revisitar essas experiências, Jayme reflete sobre o papel da comunicação popular, a valorização da história local e o desejo de que Manguinhos seja reconhecido como um território de cultura, arte e produção comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ele compartilha suas lembranças e fala sobre o Manguinhos que viveu, aquele que acompanha no presente e o futuro que deseja ajudar a construir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1.&nbsp;<strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Me chamo Jayme Cardoso, cria de Manguinhos há 22 anos. Estudante de Relações Públicas e comunicador popular de Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com certeza me marcaram muito as enchentes arrasadoras, a obra do PAC em relação a elevação da estação (pois moro em frente) e a construção da Biblioteca Parque que passei bons tempos lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.&nbsp;<strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando penso em Manguinhos lembro da minha infância porque tenho memórias bem confortáveis como, estudar no CEMPA e dos primeiros amigos de Manguinhos que fiz lá, de comprar doces e refri no bar do falecido China e de brincar com as outras crianças da Rua 9 que inclusive, é aonde minha familia mora até hoje. Além disso, ainda é muito nítido, atravessar a antiga estação de trem pra tomar vacina no posto de saúde e da vizinhança animada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.&nbsp;<strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gostaria muito que a comunicação popular fosse mais valorizada, que as pessoas tivessem mais interesse em saber como funciona, como é importante e como podem contribuir para que funcione melhor. Mas acredito que já esteja ocorrendo uma transição de mentalidade da população, conforme o Jornal se mostra cada vez mais presente e trazendo pautas importantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.&nbsp;<strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acho super interessante ver o Manguinhos Online atuando, porque é um território muito extenso e precisa dessa comunicação popular pra sabermos das notícias e informações com um olhar mais preciso e mais cuidadoso. É importante também para valorizar a história do nosso território, para os moradores conhecerem o passado da comunidade através de pessoas que conhecem de verdade Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.&nbsp;<strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É meu sonho, primeiramente, ver Manguinhos passando por uma grande transformação envolvendo os rios que nos cercam, para que não tenhamos mais enchentes que destroem lares todos os verões. Seguindo, gostaria de ver as pessoas de fora vendo Manguinhos como um polo de cultura e arte, sendo reconhecida internacionalmente pela companhia de ballet, por exemplo. E que sejamos mais uma referência em comunicação popular, caminho este que já está sendo traçado com bastante sucesso e esforço pelo Manguinhos Online.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6.&nbsp;<strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Deixo meu pedido que valorizem os projetos locais, que compartilhem bastante as publicações do Manguinhos Online, que é um jornal com curadoria muito profissional, para que tenham grande alcance e nos conheçam nossa favela pelo o olhar do morador. E lembrando, para sermos valorizados e respeitados temos que primeiros nos valorizar e respeitar o solo de onde viemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lembranças de Jayme percorrem diferentes momentos da história recente de Manguinhos. Da infância na Rua 9 às mudanças provocadas pelas obras do PAC, da antiga estação ferroviária à construção da Biblioteca Parque, sua trajetória pessoal também registra as transformações da paisagem e da vida comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, sua fala mostra que alguns problemas permanecem. As enchentes que marcaram sua experiência continuam ameaçando casas e interrompendo a rotina de muitas famílias, fazendo com que a recuperação dos rios e o enfrentamento das consequências das chuvas apareçam como condições fundamentais para o futuro do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse encontro entre memória e transformação que Jayme situa a importância da comunicação popular. Para ele, comunicar Manguinhos a partir de dentro significa oferecer informações mais próximas da realidade dos moradores, preservar a história local e apresentar a favela para além das imagens construídas por quem não conhece seu cotidiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao defender a valorização dos projetos locais, da cultura e das iniciativas comunitárias, Jayme também chama os próprios moradores a participarem dessa construção. Compartilhar informações, fortalecer quem atua no território e reconhecer o valor do lugar de onde se vem são maneiras de ampliar o alcance das vozes de Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua mensagem final reforça que o reconhecimento externo também começa pelo pertencimento: para que o território seja valorizado e respeitado, é preciso que seus moradores reconheçam suas histórias, fortaleçam suas iniciativas e respeitem o solo onde suas trajetórias foram construídas.</p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #4 &#8211; Viviane Cruz</title>
		<link>https://manguinhosonline.com.br/vozes-de-manguinhos-4-viviane-cruz/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Manguinhos On-line]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 13:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[Nascida e criada em Manguinhos, Viviane fala sobre pertencimento, resistência, solidariedade e a luta por direitos e oportunidades no território.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As histórias de um território também são construídas por quem permanece, observa suas transformações e participa diariamente da vida comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta edição do <strong>Vozes de Manguinhos</strong>, ouvimos <strong>Viviane</strong>, de 45 anos, nascida e criada em Manguinhos. Ao longo de sua trajetória, ela acompanhou de perto os desafios enfrentados pelos moradores, mas também a força da coletividade, a solidariedade entre vizinhos e a capacidade da comunidade de resistir e se reinventar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre memórias das brincadeiras nas ruas, das conversas nas portas de casa e da união nos momentos difíceis, Viviane fala sobre pertencimento, direitos básicos, cultura local e a importância de Manguinhos produzir suas próprias narrativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ela compartilha suas vivências e reflete sobre o território que conhece, defende e deseja ajudar a transformar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1.&nbsp;<strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu nome é Viviane, tenho 45 anos, sou nascida, crescida e criada dentro da comunidade de Manguinhos. E pude acompanhar de perto toda a realidade do nosso território. Aqui, aprendi muito sobre resistência, sobre coletividade e sobrevivência. E a minha história se mistura com muitas outras histórias de outras pessoas e suas vivências diárias. Enfrentamos e superamos desafios, e nesses momentos, consigo observar a união entre os moradores, que só quem vive aqui entende.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.&nbsp;<strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando penso em manguinhos, eu lembro da força de muitas pessoas, adultos e crianças, que vivem em nossa comunidade, brincando nas ruas, nas conversas nas portas de casa e da solidariedade entre os vizinhos sempre que precisam um do outro. Uma pessoa que eu posso citar como exemplo e admiração é a poetisa Celeste Estrela, que escreve lindos poemas, livros e todo um conteúdo literário rico de sonhos e conhecimentos. Também vejo sentimento de luta, medo em alguns momentos, mas principalmente de pertencimento a uma comunidade que sempre te abraça e não te vira as costas. É um lugar que apesar de tudo é cheio de vida, de vida, de esperança e amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.&nbsp;<strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A potência do território precisa ser mais valorizada. Os diversos trabalhadores, os projetos sociais, a cultura local e a inteligência coletiva da comunidade. Também é necessário mais cuidados com os direitos básicos, por exemplo, a saúde, a educação, a segurança, infraestrutura e habitação. Sempre com respeito e dignidade a quem vive aqui, ouvindo o morador e de fato atendendo às suas reais necessidades. Não apenas impondo o que a máquina costuma impor. A máquina pública costuma impor para as comunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.&nbsp;<strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É muito importante que Manguinho produza suas próprias narrativas, porque por muito tempo, falaram sobre Manguinhos sem conhecer a realidade da nossa comunidade. Falaram de Manguinhos como se Manguinhos fosse única e exclusivamente definido em violência. Produzir as nossas próprias falas é garantir que a verdade venha de quem vive o dia a dia dentro do território. É mostrar que somos muito mais do que violência. Nós somos cultura, nós somos história, somos luta, transformação, resistência e poder. A comunicação comunitária do Manguinhos Online dá voz a quem sempre foi silenciado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.&nbsp;<strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu gostaria de ver um manguinho com mais oportunidades. Onde os jovens têm acesso à educação, a cursos, ao desenvolvimento profissional e cultural, e oportunidade de trabalho digno. Um território com paz, com alegria, com incentivo público e com políticas públicas funcionando, e com muito mais reconhecimento da riqueza cultural do ser humano. Um lugar onde viver bem não seja exceção, mas seja a realidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6.&nbsp;<strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu gostaria de dizer para as pessoas que continuem resistindo, continuem ressignificando, continuem se apoiando e acreditando na força da nossa comunidade. Manguinhos é feito por cada pessoa que não desiste, que luta e que constrói diariamente no nosso território. Nossa voz importa e muito, e juntos somos e sempre seremos muito mais fortes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fala de Viviane apresenta Manguinhos como um território marcado por desafios, mas também por vínculos, solidariedade e resistência coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao recordar as brincadeiras nas ruas, as conversas entre vizinhos e o apoio presente nos momentos mais difíceis, ela mostra que a vida comunitária é uma das principais forças do território. Sua trajetória se mistura às histórias de outras pessoas que constroem Manguinhos diariamente, mesmo diante da ausência de direitos e oportunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viviane também reivindica que os moradores sejam ouvidos na formulação das políticas públicas e que a comunidade deixe de ser representada apenas pela violência. Para ela, produzir as próprias narrativas é afirmar que Manguinhos também é cultura, memória, inteligência, transformação e poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua mensagem final reforça que a mudança nasce da participação coletiva. Continuar resistindo, apoiando iniciativas locais e reconhecendo o valor de cada morador são formas de fortalecer o território e construir um Manguinhos onde viver com dignidade seja uma realidade, e não uma exceção.</p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #3: Samuel Xavier</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manguinhos On-line]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
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		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[Comunicador popular e fundador do Manguinhos On-line, Samuel fala sobre juventude, desigualdade, memória e a luta coletiva por um território mais digno.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O Vozes de Manguinhos segue apresentando as histórias dos comunicadores que ajudam a construir o Manguinhos On-line e que encontram na comunicação uma forma de registrar, questionar e transformar o território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta edição, ouvimos Samuel Xavier, de 19 anos, estudante de Jornalismo e um dos membros fundadores do coletivo. Nascido e criado em Manguinhos, Samuel carrega em sua trajetória a memória de uma família que participou da formação do Conjunto Habitacional Nelson Mandela e as marcas de uma juventude atravessada pelas desigualdades, pela violência e pelo desejo de mudança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre lembranças familiares, experiências vividas durante operações policiais e reflexões sobre cultura, educação, memória e direito à cidade, Samuel apresenta um olhar jovem, crítico e profundamente ligado à vida comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ele conta um pouco de sua história e do Manguinhos que conhece, questiona e deseja ajudar a construir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. <strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sou Samuel Xavier, tenho 19 anos. Minha família veio do Espírito Santo para os barracos de palafita do Jacarezinho e foi uma das primeiras moradoras do Conjunto Habitacional Nelson Mandela. Nasci e cresci em Manguinhos, onde morei por cerca de 16 anos. Foi aqui que construí minhas vivências, minhas relações e a forma como enxergo o mundo. Passei poucas e boas por lá, mas foram justamente essas experiências que despertaram em mim um sentimento de revolta diante das desigualdades e me fizeram me organizar enquanto morador, batalhando por um futuro melhor para o território e para quem vive nele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. <strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cenas muito opostas me fazem lembrar de Manguinhos. Mas, sem dúvidas, a que mais me marcou foi no dia da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A polícia invadiu a comunidade enquanto eu estava com minha tia e meu irmão em um beco. O confronto começou dos dois lados e nós ficamos no meio do tiroteio. Foi quando um casal de mulheres abriu a janela, viu a nossa situação e nos chamou para entrar na casa delas. Tivemos que esperar um bom tempo até conseguir atravessar a troca de tiros. Depois que as balas pararam, entramos e permanecemos lá por longas horas. Enquanto isso, do lado de fora, a cidade comemorava por sediar um dos maiores eventos do mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. <strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os equipamentos culturais, os diversos projetos sociais e as instituições presentes no território precisam ser mais valorizados. Manguinhos tem o quinto pior IDH do estado, e acredito que nossas instituições de ensino deveriam receber mais investimentos. Justamente por serem consideradas instituições-modelo, elas refletem muito do que se pretende oferecer como educação para a população mais pobre. Alguns patrimônios históricos também merecem mais cuidado, como a igreja projetada por Oscar Niemeyer e a primeira estação de trem elevada da América Latina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. <strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reforçar sua resistência. A comunidade que se desenvolveu junto com a Fiocruz hoje não desenvolve apenas a instituição, mas também a cidade. As histórias, os dilemas, os sofrimentos e as experiências dos moradores impactam toda a sociedade. Esse impacto precisa ser reconhecido como um problema social, e não apenas como um problema local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. <strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gostaria de ver um Manguinhos conhecido pela sua diversidade cultural, com menos trânsito, mais limpo, com menos enchentes, sem incursões policiais truculentas e livre dos estereótipos que ainda marcam o território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. <strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunca percam o senso de comunidade, porque sempre será nós por nós. Todas as mudanças que precisamos construir serão feitas juntos. Nunca podemos desistir de ter, ao menos, um pingo de dignidade. É justamente quando nos conformamos com a precariedade que a desigualdade se fortalece. Precisamos dar um basta nisso e continuar lutando por uma vida mais digna para todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A trajetória de Samuel revela como as experiências vividas em Manguinhos podem produzir não apenas marcas, mas também consciência, indignação e vontade de transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao lembrar a história de sua família, denunciar a naturalização da violência e defender a valorização dos equipamentos culturais, educacionais e históricos do território, Samuel mostra que falar de Manguinhos é também falar sobre as desigualdades que atravessam toda a cidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua fala reforça que a comunicação popular nasce justamente desse compromisso: transformar vivências individuais em memória coletiva, denunciar aquilo que não pode ser tratado como normal e disputar o futuro do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre a revolta diante da precariedade e a esperança construída pela organização comunitária, Samuel deixa uma mensagem direta: nenhuma mudança será feita de forma isolada. Preservar o senso de comunidade, recusar a conformidade e continuar lutando por dignidade também são formas de construir um novo Manguinhos.</p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #2: Isabella Marques</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manguinhos On-line]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 12:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[Estudante de Ciências Sociais e cria de Manguinhos, Isabella fala sobre memória, pertencimento, saberes populares e a construção coletiva de um território mais justo e sustentável.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Manguinhos não deixa de fazer parte de alguém quando essa pessoa atravessa suas fronteiras. O território permanece nas lembranças, nos vínculos familiares, na maneira de compreender o mundo e nas escolhas construídas ao longo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta edição do Vozes de Manguinhos, ouvimos Isabella Marques, estudante de Licenciatura em Ciências Sociais na UFRJ, nascida e criada em Manguinhos. Embora atualmente não more mais no território, Isabella reconhece a favela como o lugar onde sua identidade começou a ser formada e onde teve seus primeiros contatos com as desigualdades, os afetos e as formas coletivas de viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre lembranças dos encontros familiares na laje, experiências marcadas pela violência do Estado e reflexões sobre justiça social, solidariedade e pertencimento, Isabella apresenta Manguinhos como um território que produz conhecimentos, consciência política e potência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ela compartilha suas memórias e reflete sobre o reconhecimento dos saberes dos moradores, a disputa das narrativas sobre a favela e o futuro que deseja para Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. <strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Olá, eu me chamo Isabella Marques, é… sou estudante da UFRJ, curso Licenciatura em Ciências Sociais e sou cria de Manguinhos, ex-moradora de Manguinhos, mas sou nascida e criada na favela [de Manguinhos]. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, minha história com Manguinhos se inicia quando eu nasço, né? Na verdade, bem antes, quando os meus antepassados, a minha avó, a minha mãe, os meus avós, enfim, decidiram vir para cá, para o Rio de Janeiro. Meu avô já era carioca. E construíram a casa em que vivi a maior parte da minha vida. Tenho muitas lembranças boas de Manguinhos. Foi o lugar onde eu entendi e aprendi muito, e que formou a minha identidade. É um lugar que marca as minhas memórias, o primeiro contato com o mundo que eu tive. O meu mundo, quando eu era pequena, era Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, agora adulta, vejo que tem muitas coisas que fazem parte da pessoa que sou hoje. E que as minhas percepções sociais, como a minha sede por justiça social, toda a raiva que organizei depois politicamente em relação às injustiças sociais, à violência do estado, à violência de gênero&#8230; enfim, tudo isso foram coisas que me atravessaram, sendo moradora de favela, sobretudo de Manguinhos. Então, acho que isso me formou, formou a minha identidade e a potência que sou hoje como sujeito social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. <strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As minhas lembranças são muito marcadas pelo que a minha família viveu e passou. E bom, as cenas e os sentimentos também são atravessados por isso. Sinto uma saudade de acordar de manhã nos finais de semana e a minha família estar na minha laje fazendo churrasco. Enfim, acordar com aquela agitação boa e bacana de família. Um sentimento de festa, sabe?</p>



<p class="wp-block-paragraph">E uma liberdade maior de segurança, de andar pelas ruas à noite e saber que vou chegar em casa e que, enfim, posso passar por outros tipos de violência, mas não vou ser assaltada, por exemplo. Essa questão da segurança mudou muito para mim ao longo da vida. Eu lembro dessas coisas que são boas e de coisas ruins também, lógico. Lembro das sensações e dos sentimentos que eu tinha quando havia operação policial e eu não ia para a escola. Tenho uma lembrança horrível da minha família se escondendo na nossa escada, que era o lugar mais afastado da porta e da janela, porque jogaram gás lacrimogêneo na rua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tem tudo isso. Mas também tenho essas lembranças boas dos verões na laje da minha avó, com piscina, galão de água e tudo mais, eu tentando aprender a soltar pipa. Nunca aprendi, mas enfim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. <strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acho que o que precisa ser mais reconhecido é uma noção de solidariedade que move os moradores de favela e de Manguinhos. É muito interessante que a gente se junta para resolver problemas que são coletivos, se solidariza com o outro. Isso precisa ser reconhecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, todo saber é válido e as pessoas moradoras de favela têm muito saber. Só que esse saber muitas das vezes é lido como descartável, um saber que não é saber. Mas acho que toda aplicação de política pública na favela, por exemplo, deveria e deve passar pelos saberes das pessoas que moram e vivem naquele território. Então, Manguinhos concentra muitos saberes e isso deve ser reconhecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. <strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas porque sempre dizem muitas coisas sobre lá, e são sempre coisas muito ruins. Não reconhecem os nossos saberes, não reconhecem as nossas potências, e muitas vezes só nos reduzem à violência e à marginalidade, o que é um grande erro. Na verdade, é um grande erro proposital, um projeto de como querem que a população veja os lugares periféricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Manguinhos, na maioria das vezes que aparece no jornal, é só para relatar as nossas dificuldades. E aí parece que a gente é só isso, que ser morador de Manguinhos é só sofrer violência. Lógico que não estou ignorando que a gente sofre violência, mas tem outro aspecto que produz potência. Então, produzir as próprias narrativas disputa como a história do território vai se construindo e como as noções imagéticas sobre os próprios moradores se constituem para fora da favela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. <strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gostaria de ver um Manguinhos verde, cheio de árvores e com o rio Faria Timbó despoluído. Gostaria de ver espaços de lazer não abandonados, que fossem preservados. Gostaria de ver muitos empregos em Manguinhos também, que a maioria dos moradores tivesse acesso a coisas dignas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lazer é digno. Ter um espaço verde influencia no ar que a gente respira, e o meio ambiente influencia muito em como nos relacionamos com ele. Então, o Manguinhos do futuro que eu queria ver é um que nutrisse essa cultura ambiental de preservação e que, além disso, fosse referência para muitas coisas. Como já somos, mas precisamos avançar em vários aspectos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. <strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mensagem que eu deixaria é que o que fazemos dentro da nossa casa influencia na maneira como nos relacionamos com o território como um todo. Acho que isso é uma provocação e um recado também: a maneira como cuidamos da nossa casa, como entendemos que ela nos pertence, essa noção de pertencimento tem que ir além da sua porta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preservar todo o ambiente em que você vive é muito importante, para além da sua própria casa. Ter esse senso de comunidade, a reivindicação de uma coleta de lixo que abarque as necessidades dos moradores, uma noção de não desperdiçar as coisas, que isso prevaleça, sobretudo. Acho que é isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lembranças de Isabella revelam um Manguinhos construído por contrastes: entre os churrascos familiares na laje e os momentos de medo durante operações policiais; entre a sensação de liberdade proporcionada pela vida comunitária e as violências que atravessam a experiência de quem cresce em uma favela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao olhar para essas vivências, Isabella mostra que o território não apenas guarda suas memórias, mas também ajudou a formar sua identidade, sua consciência política e sua busca por justiça social. Mesmo não sendo mais moradora, ela continua reconhecendo Manguinhos como parte fundamental da pessoa que se tornou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua fala também reivindica o reconhecimento dos conhecimentos produzidos dentro da favela. Para Isabella, ouvir os moradores não deve ser apenas uma etapa complementar das políticas públicas, mas o ponto de partida para qualquer ação que pretenda transformar o território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre a valorização da solidariedade comunitária, a defesa de um Manguinhos mais verde e o chamado para que o cuidado ultrapasse as portas de cada casa, Isabella reforça que pertencimento também significa responsabilidade coletiva. Cuidar do lugar onde se vive, preservar sua memória e disputar as narrativas construídas sobre ele são formas de afirmar que Manguinhos é muito maior do que as violências pelas quais costuma ser representado.</p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #1: Adriano Rodrigues</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manguinhos On-line]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 12:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
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					<description><![CDATA[Comunicador do Manguinhos On-line, Adriano fala sobre memória, território e a importância de Manguinhos contar suas próprias histórias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Manguinhos é formado por muitas histórias, memórias e maneiras de compreender o território. Durante décadas, porém, grande parte dessas experiências foi contada a partir do olhar de quem observa a comunidade de fora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Vozes de Manguinhos nasce para ajudar a transformar essa realidade. O novo quadro do Manguinhos On-line abre espaço para que moradores, trabalhadores, artistas, lideranças, comunicadores e outras pessoas que constroem o território possam registrar suas vivências e contar Manguinhos a partir de seus próprios olhares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para abrir a série, os primeiros relatos vêm de quem também participa da construção dessa escuta: os integrantes do Manguinhos On-line. Nesta edição, conversamos com Adriano Rodrigues, cria de Manguinhos, doutorando em Comunicação pela UERJ, pesquisador de comunicação comunitária e membro fundador do coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre lembranças da infância, experiências marcadas pela violência, reflexões sobre o papel da mídia e esperanças para o futuro, Adriano fala sobre o território que formou sua identidade e despertou seu interesse pela comunicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ele compartilha sua história e explica por que acredita que Manguinhos precisa contar, preservar e disputar as próprias narrativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. <strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sou Adriano Rodrigues, doutorando em Comunicação pela UERJ, e pesquiso comunicação comunitária. Mas, antes de tudo isso, eu sou um cria de Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nasci e cresci aqui. Minha mãe também nasceu e cresceu em Manguinhos. Meu pai veio do Nordeste ainda jovem, como tantos outros nordestinos, buscando uma vida melhor no Rio de Janeiro. Foi aqui que eles se conheceram, construíram a família e foi aqui que eu cresci. Então, quando eu falo de Manguinhos, eu não estou falando de um lugar onde morei. Eu estou falando do lugar que me formou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda a minha vida aconteceu aqui. Foi aqui que fiz amizades que levo até hoje, que aprendi a enxergar o mundo, que comecei a entender as desigualdades, mas também a força que existe dentro de uma comunidade. Acho que, de certa forma, escolher estudar comunicação não foi por acaso. Crescer em Manguinhos me fez perceber muito cedo que existia uma diferença enorme entre o território que eu conhecia e aquele que aparecia na televisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto eu via solidariedade, cultura, vizinhos que se conheciam pelo nome e uma comunidade extremamente viva, quase sempre a mídia mostrava só a violência. Isso sempre me incomodou muito. E foi justamente dessa inquietação que nasceu o meu interesse pela comunicação comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anos depois, em 2024, essa vontade ganhou uma forma mais concreta com o Manguinhos On-line. A ideia nunca foi criar apenas um portal de notícias, mas construir um espaço onde a própria comunidade pudesse contar sua história, registrar sua memória e mostrar que Manguinhos é muito maior do que os estereótipos que foram criados sobre ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. <strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É engraçado porque, quando penso em Manguinhos, vêm sentimentos completamente diferentes ao mesmo tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira lembrança é da infância. Daquela liberdade que hoje parece até estranha. A gente passava horas brincando na rua, jogando bola, andando de bicicleta, inventando brincadeiras, indo na casa dos amigos. Minha maior preocupação era ir para a escola, fazer o dever de casa e esperar dar a hora de brincar de novo. Era uma infância muito simples, mas muito feliz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, conforme fui crescendo, outras lembranças começaram a ocupar esse espaço. A violência passou a fazer parte da rotina de uma forma que nunca deveria acontecer com ninguém. Os dias de operação eram dias de medo. Já fiquei preso em comércio, em escola, esperando os tiros pararem para conseguir voltar para casa. Isso acaba deixando marcas que nem sempre são visíveis, mas que ficam com a gente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E acho que existe uma coisa muito cruel nisso tudo, porque a gente acaba naturalizando situações que jamais deveriam ser normais. Crescer sabendo diferenciar o som dos tiros, mudar o caminho por causa de operação ou cancelar compromissos porque &#8220;o clima não está bom&#8221; não deveria fazer parte da vida de ninguém.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, apesar disso tudo, quando penso em Manguinhos hoje, também sinto esperança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos eu tenho visto nascer muita coisa bonita. Coletivos culturais, projetos sociais, iniciativas de comunicação, pessoas produzindo conteúdo, empreendendo, ocupando espaços que antes pareciam impossíveis. Acho que a internet e as redes sociais deram voz para muita gente que nunca teve oportunidade de mostrar seu trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então Manguinhos, para mim, é isso, um território cheio de cicatrizes, mas que nunca deixou de produzir vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. <strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se eu tivesse que escolher uma coisa, diria que são as pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe uma tendência muito grande de olhar para Manguinhos apenas pelos problemas. Só que quem vive aqui sabe que o território funciona porque existem centenas de pessoas que dedicam suas vidas a cuidar dele. Tem professores, agentes de saúde, lideranças comunitárias, artistas, comunicadores, pesquisadores, coletivos, projetos sociais&#8230; gente que trabalha todos os dias para tornar Manguinhos um lugar melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas pessoas quase nunca aparecem. E, quando aparecem, normalmente é porque ganharam algum prêmio ou fizeram algo extraordinário. Mas, para mim, o extraordinário é justamente o trabalho cotidiano que elas realizam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também acho que a gente precisa valorizar mais esse senso de comunidade que ainda existe aqui. Em muitos lugares da cidade você nem conhece quem mora no apartamento ao lado. Em Manguinhos ainda existe uma relação diferente. As pessoas se conhecem, sabem o nome umas das outras, perguntam como a família está, ajudam quando alguém precisa. Claro que isso não acontece em todos os lugares e nem com todas as pessoas, mas ainda é uma característica muito forte do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes eu gosto de pensar que Manguinhos guarda um pouco dessa lógica das comunidades tradicionais, onde a vida não é construída só individualmente, mas também coletivamente. Acho que isso precisa ser preservado, porque é uma das maiores riquezas que a gente tem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, claro, também espero que iniciativas como o Manguinhos On-line possam contribuir para esse reconhecimento. Quanto mais a gente registra e divulga o que existe de bom aqui, mais difícil fica reduzir Manguinhos a uma única narrativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. <strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque durante muito tempo outras pessoas falaram por nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando alguém de fora conta a história de Manguinhos, normalmente ela chega aqui em um momento específico, vê um recorte da realidade e vai embora. Quem vive aqui sabe que a vida no território é muito mais complexa do que isso. Existem problemas, claro, e eles precisam ser mostrados. Mas também existem histórias de superação, de afeto, de cultura, de ciência, de educação, de gente que transforma a vida de outras pessoas todos os dias. E essas histórias quase nunca ganham espaço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação comunitária é importante justamente porque ela muda esse lugar de fala. Não é mais alguém interpretando quem nós somos. Somos nós contando a nossa própria história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi muito dessa inquietação que nasceu o Manguinhos On-line. A ideia nunca foi esconder os problemas do território ou pintar uma realidade perfeita. Pelo contrário. É mostrar Manguinhos por inteiro. Mostrar as dificuldades, mas também mostrar tudo aquilo que faz a gente sentir orgulho de morar aqui. Porque uma comunidade só consegue preservar sua memória quando ela mesma registra sua história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. <strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sonho com um Manguinhos onde as crianças possam viver a infância que eu vivi, mas sem o medo que também fez parte dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Queria que elas pudessem brincar na rua, voltar da escola tranquilas, ocupar os espaços públicos, frequentar projetos culturais e esportivos sem que uma operação policial interrompesse a rotina. Parece algo simples, mas infelizmente ainda não é a realidade de muita gente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também gostaria de ver Manguinhos sendo reconhecido pelas coisas boas que produz. A Fiocruz está aqui, existem coletivos incríveis, artistas, pesquisadores, comunicadores, empreendedores&#8230; existe muito conhecimento sendo produzido dentro do território. Acho que a gente precisa fazer com que isso apareça mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E espero que, daqui a alguns anos, quando alguém ouvir o nome Manguinhos, a primeira imagem que venha à cabeça não seja a violência. Que pense também em ciência, cultura, comunicação, educação, potência e transformação social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fim das contas, eu queria um Manguinhos que continuasse preservando esse senso de comunidade que sempre existiu, mas com muito mais oportunidades para quem nasce e cresce aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. <strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu acho que a primeira coisa é agradecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agradecer a todas as pessoas que, mesmo enfrentando tantas dificuldades, continuam acreditando no território e trabalhando para que ele seja um lugar melhor. Às vezes a gente olha para um projeto social, um coletivo cultural ou uma iniciativa comunitária e esquece que, por trás daquilo, existem pessoas dedicando tempo, energia e, muitas vezes, recursos próprios para fazer acontecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também queria dizer para que a gente não deixe de contar as nossas histórias. Parece uma coisa simples, mas não é. Quando a gente registra uma memória, uma fotografia, um vídeo, uma reportagem ou um relato de vida, a gente está construindo a história de Manguinhos a partir do olhar de quem realmente vive aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, por fim, queria deixar um convite&#8230; ocupem os espaços. Participem dos coletivos, valorizem os pequenos negócios, fortaleçam quem produz cultura, comunicação e conhecimento dentro do território. Nenhum projeto transforma uma comunidade sozinho. Mas, quando várias pessoas acreditam na mesma ideia e caminham juntas, a transformação deixa de ser um sonho e começa a acontecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nisso que eu acredito. E é por isso que continuo acreditando em Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A história de Adriano marca a abertura do Vozes de Manguinhos e apresenta o sentido que orienta o quadro: registrar o território a partir das pessoas que vivem, constroem e comunicam Manguinhos por dentro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suas lembranças revelam uma comunidade atravessada por contrastes. De um lado, a liberdade das brincadeiras na rua, as amizades, a solidariedade entre vizinhos e a força da vida coletiva. Do outro, o medo provocado pelas operações policiais e a naturalização de situações que jamais deveriam fazer parte da infância ou da rotina de qualquer pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi também a partir desse contraste que Adriano passou a questionar a distância entre o Manguinhos vivido por seus moradores e aquele frequentemente apresentado pela mídia. Sua trajetória mostra como essa inquietação encontrou na comunicação comunitária uma possibilidade de ação, memória e transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao defender que a comunidade conte suas próprias histórias, Adriano não propõe esconder os problemas do território, mas ampliar o modo como ele é visto. Registrar Manguinhos por inteiro significa denunciar suas desigualdades, reconhecer quem trabalha diariamente por sua transformação e valorizar tudo aquilo que também produz orgulho, conhecimento e pertencimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre cicatrizes, memórias e esperanças, sua fala deixa um convite: ocupar os espaços, fortalecer as iniciativas locais e continuar acreditando que, quando uma comunidade registra a própria história e caminha coletivamente, a transformação começa a deixar de ser apenas um sonho.</p>
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