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	<title>escala 6&#215;1 &#8211; Manguinhos On-line</title>
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	<description>Jornalismo comunitário feito em Manguinhos</description>
	<lastBuildDate>Mon, 13 Jul 2026 09:02:03 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Motoristas de ônibus do Rio anunciam greve para segunda-feira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samuel Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 22:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mobilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte]]></category>
		<category><![CDATA[escala 6x1]]></category>
		<category><![CDATA[Greve dos rodoviários]]></category>
		<category><![CDATA[motoristas de ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte público]]></category>
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					<description><![CDATA[Categoria cobra fim da escala 6x1, contratação pela CLT para motoristas do BRT, compensação do horário de almoço e aumento salarial]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image"></div>
<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-start="779" data-end="978">Os motoristas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro anunciaram greve para a próxima segunda-feira (29). A paralisação foi comunicada após a falta de acordo entre trabalhadores e empresários do setor.</p>
<p data-start="980" data-end="1252">Segundo publicação do <strong data-start="1002" data-end="1024">Manguinhos On-line</strong>, em parceria com o <strong data-start="1044" data-end="1057">SamComPop</strong>, os rodoviários reivindicam o fim da escala <strong data-start="1102" data-end="1109">6&#215;1</strong>, mudança no regime de contratação de motoristas do BRT para a <strong data-start="1172" data-end="1179">CLT</strong>, compensação dos horários de almoço e aumento salarial para a categoria.</p>
<p data-start="1254" data-end="1460">A greve deve impactar a circulação de ônibus em toda a cidade, principalmente para moradores que dependem do transporte público para trabalhar, estudar, ir a consultas médicas e acessar serviços essenciais.</p>
<h2 data-section-id="ql4qk5" data-start="1462" data-end="1497">O que os rodoviários reivindicam</h2>
<p data-start="1499" data-end="1561">Entre os principais pontos cobrados pelos trabalhadores estão:</p>
<p data-start="1563" data-end="1735"><strong data-start="1563" data-end="1585">fim da escala 6&#215;1;</strong><br data-start="1585" data-end="1588" /><strong data-start="1588" data-end="1654">mudança do regime de contrato para CLT para motoristas do BRT;</strong><br data-start="1654" data-end="1657" /><strong data-start="1657" data-end="1696">compensação dos horários de almoço;</strong><br data-start="1696" data-end="1699" /><strong data-start="1699" data-end="1735">aumento do salário da categoria.</strong></p>
<p data-start="1737" data-end="2036">A escala 6&#215;1 é o modelo em que o trabalhador atua por seis dias e tem um dia de folga. O tema tem sido discutido nacionalmente por movimentos trabalhistas e propostas legislativas que defendem a redução da jornada e mais tempo de descanso para os trabalhadores.</p>
<h2 data-section-id="ewo7j1" data-start="2038" data-end="2061">Contratação pela CLT</h2>
<p data-start="2063" data-end="2200">Outro ponto citado pelos rodoviários é a contratação pelo regime da <strong data-start="2131" data-end="2168">Consolidação das Leis do Trabalho</strong>, a CLT, para motoristas do BRT.</p>
<p data-start="2202" data-end="2396">A CLT é o conjunto de normas que regula as relações individuais e coletivas de trabalho no Brasil, reunindo direitos e deveres de empregados e empregadores.</p>
<p data-start="2398" data-end="2525">Na prática, a reivindicação busca garantir mais estabilidade, formalização e acesso aos direitos trabalhistas previstos em lei.</p>
<h2 data-section-id="1p5igqq" data-start="2527" data-end="2578">Horário de almoço também está entre as cobranças</h2>
<p data-start="2580" data-end="2888">A categoria também cobra compensação dos horários de almoço. A reivindicação aparece como uma resposta às condições de trabalho enfrentadas pelos motoristas, que lidam diariamente com trânsito, pressão por cumprimento de horário, longas jornadas e responsabilidade pelo transporte de milhares de passageiros.</p>
<p data-start="2890" data-end="3013">Para os trabalhadores, a pauta não envolve apenas salário, mas também condições dignas de trabalho e organização da rotina.</p>
<h2 data-section-id="14p5lap" data-start="3015" data-end="3057">Transporte coletivo é serviço essencial</h2>
<p data-start="3059" data-end="3273">A paralisação dos rodoviários tem impacto direto na vida da população porque o transporte coletivo é considerado uma atividade essencial pela legislação brasileira sobre greve.</p>
<p data-start="3275" data-end="3393">Mesmo assim, os trabalhadores afirmam que a greve ocorre diante da falta de avanço nas negociações com os empresários.</p>
<h2 data-section-id="15nxnem" data-start="3395" data-end="3424">Greve deve afetar a cidade</h2>
<p data-start="3426" data-end="3694">A paralisação pode atingir passageiros de diferentes regiões do Rio de Janeiro. Em bairros populares e comunidades, onde o ônibus é uma das principais formas de deslocamento, qualquer redução na frota costuma gerar filas, atrasos e dificuldade para chegar ao trabalho.</p>
<p data-start="3696" data-end="3848">O Manguinhos On-line seguirá acompanhando os desdobramentos da greve dos rodoviários e os impactos para os moradores que dependem do transporte público.</p>
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		<title>Fim da escala 6&#215;1 marca ato do Dia do Trabalhador no Rio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Adriano Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 19:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos e assistência]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Copacabana]]></category>
		<category><![CDATA[Dia do Trabalhador]]></category>
		<category><![CDATA[direitos trabalhistas]]></category>
		<category><![CDATA[escala 6x1]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[Manifestação realizada em Copacabana, no 1º de Maio, reuniu trabalhadores, centrais sindicais e movimentos sociais em defesa da redução da jornada sem redução salarial, do combate à precarização e da ampliação de direitos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-start="1054" data-end="1560">O Dia do Trabalhador e da Trabalhadora foi marcado por mobilização no Rio de Janeiro. Na sexta-feira, 1º de maio, manifestantes se reuniram em Copacabana, na Zona Sul, para defender o fim da escala 6&#215;1, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário e mais proteção aos direitos trabalhistas. O ato aconteceu na Avenida Atlântica, na altura do Posto 5, e fez parte de uma agenda nacional de mobilizações organizada por centrais sindicais e movimentos sociais.</p>
<p data-start="1562" data-end="1938">O Manguinhos On-line esteve presente na cobertura do ato. A manifestação reuniu trabalhadores de diferentes categorias, lideranças políticas, sindicatos, coletivos e pessoas que foram às ruas para denunciar o desgaste provocado por jornadas longas, baixos salários, informalidade, pejotização e falta de tempo para descanso, estudo, cuidado com a família e convivência social.</p>
<p data-start="1940" data-end="2241">A principal palavra de ordem foi o fim da escala 6&#215;1, modelo em que o trabalhador atua seis dias na semana e tem apenas um dia de folga. Para os participantes, a discussão não se resume à organização da rotina de trabalho: trata-se de uma pauta sobre saúde, dignidade, tempo livre e qualidade de vida.</p>
<h2 data-section-id="1djt30a" data-start="2243" data-end="2267">O que é a escala 6&#215;1?</h2>
<p data-start="2269" data-end="2586">A escala 6&#215;1 é uma forma de organização da jornada em que a pessoa trabalha por seis dias e descansa um. Ela é comum em setores como comércio, supermercados, serviços, restaurantes, hotelaria, limpeza, telemarketing, segurança, transporte e outras áreas que funcionam em horários ampliados, fins de semana e feriados.</p>
<p data-start="2588" data-end="2831">Hoje, a Constituição estabelece que a duração normal do trabalho não deve ser superior a oito horas diárias e 44 horas semanais, além de garantir repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.</p>
<p data-start="2833" data-end="3102">Na prática, a combinação entre jornada de até 44 horas semanais e funcionamento contínuo de determinados setores permite que muitos trabalhadores sejam escalados por seis dias seguidos, com apenas uma folga semanal. É esse modelo que virou alvo de mobilização nacional.</p>
<h2 data-section-id="tmi7d4" data-start="3104" data-end="3152">Por que os trabalhadores querem o fim da 6&#215;1?</h2>
<p data-start="3154" data-end="3487">A reivindicação central é que a redução da jornada seja feita sem redução salarial. Defensores da mudança afirmam que o modelo atual compromete a vida fora do trabalho, aumenta o cansaço físico e mental e dificulta o acesso a estudo, lazer, participação política, cuidado com filhos, acompanhamento de familiares e descanso adequado.</p>
<p data-start="3489" data-end="3745">No ato de Copacabana, cartazes e falas de manifestantes reforçavam que o trabalhador não deve viver apenas para trabalhar. A pauta ganhou força especialmente entre jovens, trabalhadores do comércio e categorias submetidas a rotinas de atendimento contínuo.</p>
<p data-start="3747" data-end="4023">Pesquisa Datafolha divulgada em março mostrou que 71% dos brasileiros apoiavam a redução do número máximo de dias trabalhados por semana. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.</p>
<h2 data-section-id="bna39o" data-start="4025" data-end="4056">A pauta avançou no Congresso</h2>
<p data-start="4058" data-end="4401">Depois das mobilizações do 1º de Maio, a proposta de fim da escala 6&#215;1 ganhou novos capítulos em Brasília. Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, uma Proposta de Emenda à Constituição que prevê jornada máxima de 40 horas semanais e dois dias de descanso por semana, sem redução salarial.</p>
<p data-start="4403" data-end="4655">Após a aprovação na Câmara, o texto seguiu para análise do Senado. Segundo a Agência Senado, a proposta estabelece jornada máxima de 40 horas semanais e prevê dois dias de descanso para cada cinco dias trabalhados.</p>
<p data-start="4657" data-end="5064">A Agência Brasil informou que, se aprovada também no Senado, a implementação teria regras de transição, com redução inicial para 42 horas semanais e, depois, para 40 horas. A proposta também prevê a manutenção dos salários e permite regimes compensatórios em situações específicas, desde que respeitado o direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em média.</p>
<h2 data-section-id="jjrd52" data-start="5066" data-end="5120">Mais do que escala: direitos trabalhistas em debate</h2>
<p data-start="5122" data-end="5549">Embora o fim da escala 6&#215;1 tenha sido a principal bandeira do ato, a manifestação também levantou outras pautas. Entre elas estavam a defesa da redução da jornada sem corte salarial, o combate à pejotização, a valorização das negociações coletivas e a proteção contra formas de precarização do trabalho. Esses temas estavam entre os eixos convocados para o ato de 1º de Maio em Copacabana.</p>
<p data-start="5551" data-end="5897">A pejotização é uma das preocupações recorrentes entre trabalhadores e sindicatos. O termo se refere a situações em que pessoas passam a prestar serviço como pessoa jurídica, mas seguem, na prática, em uma relação de trabalho semelhante à de emprego, muitas vezes sem acesso aos mesmos direitos previstos para trabalhadores com carteira assinada.</p>
<p data-start="5899" data-end="6110">Para os movimentos presentes no ato, discutir jornada é também discutir o modelo de trabalho no Brasil. A pergunta que atravessou a manifestação foi direta: quanto tempo da vida deve ser consumido pelo trabalho?</p>
<h2 data-section-id="1kgx08q" data-start="6112" data-end="6143">Trabalho, cidade e favela</h2>
<p data-start="6145" data-end="6477">A discussão sobre a escala 6&#215;1 também atravessa a realidade de moradores de Manguinhos e de outros territórios populares. Para quem vive longe das áreas de maior concentração de emprego, a jornada não começa apenas quando bate o ponto. Ela inclui o tempo gasto em ônibus, trem, metrô, BRT, filas, integrações e deslocamentos longos.</p>
<p data-start="6479" data-end="6871">Uma escala de seis dias por semana pode significar, para muitos trabalhadores, quase nenhuma possibilidade de descanso real. Quando o transporte atrasa, quando o ônibus passa cheio, quando o trem falha ou quando a volta para casa é longa, a folga semanal vira também o único dia para resolver pendências, cuidar da casa, acompanhar filhos, ir ao mercado, descansar e tentar recuperar o corpo.</p>
<p data-start="6873" data-end="7061">Por isso, o debate sobre jornada de trabalho não é abstrato. Ele aparece na rotina de quem sai cedo, volta tarde e ainda precisa lidar com a falta de tempo para viver a própria comunidade.</p>
<h2 data-section-id="1ej2ux6" data-start="7063" data-end="7093">1º de Maio como dia de luta</h2>
<p data-start="7095" data-end="7323">O 1º de Maio é celebrado como Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, mas a data também é marcada por reivindicações históricas da classe trabalhadora. Em 2026, a pauta do fim da escala 6&#215;1 deu novo peso político às manifestações.</p>
<p data-start="7325" data-end="7654">Em Copacabana, o ato mostrou que a discussão saiu das redes sociais e chegou às ruas. A presença de trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais reforçou que a mudança na jornada não é apenas uma proposta legislativa: é uma demanda social que mobiliza categorias diferentes e dialoga com a vida cotidiana de milhões de pessoas.</p>
<h2 data-section-id="1yaaji2" data-start="7656" data-end="7680">O que acontece agora?</h2>
<p data-start="7682" data-end="7896">Com o avanço da proposta no Congresso, a pressão dos trabalhadores deve continuar. Para virar regra, a mudança ainda depende de tramitação completa no Senado e, se aprovada, da promulgação da emenda constitucional.</p>
<p data-start="7898" data-end="8108">Enquanto isso, sindicatos e movimentos defendem que a população acompanhe o debate, cobre parlamentares e participe das discussões sobre os impactos da jornada de trabalho na saúde, na renda e na vida familiar.</p>
<p data-start="8110" data-end="8338">A manifestação do 1º de Maio no Rio mostrou que o tema deixou de ser uma pauta restrita às centrais sindicais. O fim da escala 6&#215;1 passou a ocupar conversas em locais de trabalho, redes sociais, famílias e territórios populares.</p>
<p data-start="8340" data-end="8530" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Para quem vive do próprio trabalho, a reivindicação é simples: trabalhar com dignidade, receber salário justo e ter tempo para descansar, estudar, cuidar, amar, circular pela cidade e viver.</p>
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		<title>Fim da escala 6&#215;1: por que a jornada precisa mudar</title>
		<link>https://manguinhosonline.com.br/fim-da-escala-6x1-por-que-a-jornada-precisa-mudar/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Adriano Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 18:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos e assistência]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[direitos trabalhistas]]></category>
		<category><![CDATA[escala 6x1]]></category>
		<category><![CDATA[Fim da escala 6x1]]></category>
		<category><![CDATA[Jornada de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[Posicionamento editorial do Manguinhos On-line defende que descanso não é privilégio. É direito. Em territórios populares, a rotina de quem trabalha seis dias por semana também inclui transporte lotado, cuidado com a casa, baixos salários e pouco tempo para viver.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-start="1064" data-end="1298">Trabalhar seis dias e viver só um não dá conta da vida. Essa é a posição do <strong data-start="1140" data-end="1162">Manguinhos On-line</strong> diante do debate nacional sobre o fim da escala 6&#215;1, modelo em que o trabalhador atua seis dias na semana e tem apenas um dia de folga.</p>
<p data-start="1300" data-end="1765">A defesa da redução da jornada não é apenas uma pauta trabalhista. É uma discussão sobre saúde, tempo, família, transporte, cuidado, presença no território e dignidade. Para quem mora em favelas e periferias, a jornada não começa quando o expediente inicia. Começa antes: no ponto de ônibus, no trem lotado, no medo do caminho, na espera pelo transporte, na marmita feita às pressas, no filho que precisa ir para a escola, na casa que precisa continuar funcionando.</p>
<p data-start="1767" data-end="2195">A Constituição brasileira já limita a jornada normal a oito horas diárias e 44 horas semanais, além de garantir repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. Mas a existência formal de um dia de descanso não significa, na prática, tempo suficiente para recuperar o corpo, cuidar da saúde, conviver com a família, estudar, circular pela cidade e participar da vida comunitária.</p>
<h2 data-section-id="1gbrypw" data-start="2197" data-end="2223">O que está em discussão</h2>
<p data-start="2225" data-end="2652">O debate sobre a escala 6&#215;1 avançou no Congresso Nacional. Em maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC 221/2019, que estabelece jornada de 40 horas semanais, em cinco dias de trabalho e dois de descanso. A proposta prevê transição, manutenção dos salários e regras específicas para algumas carreiras. No segundo turno, foram 461 votos favoráveis e 19 contrários.</p>
<p data-start="2654" data-end="2916">A proposta ainda não está em vigor. Após a aprovação na Câmara, o texto seguiu para o Senado. O presidente da Casa informou que a PEC não iria diretamente ao plenário e deveria passar por comissões antes de eventual votação.</p>
<p data-start="2918" data-end="3156">Ou seja: o fim da escala 6&#215;1 ainda depende de tramitação. Mas o debate já deixou de ser uma conversa restrita a sindicatos, partidos ou especialistas. Virou tema de rua, de trabalho, de família, de comércio, de transporte e de comunidade.</p>
<p data-start="3158" data-end="3450">Pesquisa Datafolha divulgada em março de 2026 mostrou que <strong data-start="3216" data-end="3307">71% dos brasileiros defendiam a redução do número máximo de dias trabalhados por semana</strong>. No fim de 2024, esse percentual era de 64%. O crescimento mostra que a pauta ganhou força na sociedade.</p>
<h2 data-section-id="ys763m" data-start="3452" data-end="3474">Descanso não é luxo</h2>
<p data-start="3476" data-end="3578">O descanso não pode ser tratado como prêmio para quem “merece”. Descanso é condição mínima para viver.</p>
<p data-start="3580" data-end="3906">Quem trabalha seis dias por semana costuma usar o único dia de folga para resolver tudo aquilo que a semana de trabalho impede: lavar roupa, limpar casa, fazer compras, ir ao médico, acompanhar filhos, visitar familiares, resolver documentos, pagar contas, estudar, descansar e tentar recuperar o corpo para trabalhar de novo.</p>
<p data-start="3908" data-end="3971">Isso não é tempo livre. É sobrevivência comprimida em 24 horas.</p>
<p data-start="3973" data-end="4259">A Lei nº 605/1949 reconhece o direito ao repouso semanal remunerado de 24 horas consecutivas. A CLT também prevê intervalo mínimo de 11 horas entre duas jornadas. Esses direitos existem porque o corpo humano tem limite. O trabalhador não é máquina.</p>
<h2 data-section-id="n1ug3" data-start="4261" data-end="4294">Saúde também entra nessa conta</h2>
<p data-start="4296" data-end="4399">A discussão sobre jornada precisa ser feita junto com a discussão sobre saúde. Trabalhar demais adoece.</p>
<p data-start="4401" data-end="4758">A Organização Mundial da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho estimaram que longas jornadas estiveram associadas a <strong data-start="4527" data-end="4589">745 mil mortes por AVC e doença cardíaca isquêmica em 2016</strong>. O estudo considerou os efeitos de trabalhar 55 horas ou mais por semana e apontou aumento de 29% nessas mortes em relação a 2000.</p>
<p data-start="4760" data-end="5136">No Brasil, o adoecimento mental relacionado ao trabalho também vem chamando atenção. Segundo o Ministério da Previdência Social, em 2025 foram concedidos <strong data-start="4914" data-end="5006">546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais</strong>, alta de 15,66% em relação a 2024. O Rio de Janeiro registrou 41.997 benefícios desse tipo.</p>
<p data-start="5138" data-end="5447">É evidente que nem todo adoecimento mental tem uma única causa. Mas é impossível falar de ansiedade, depressão, estresse e exaustão sem olhar para a organização do trabalho, a pressão por produtividade, os baixos salários, a insegurança no emprego, o transporte precário e a falta de tempo real para descanso.</p>
<h2 data-section-id="83fpzh" data-start="5449" data-end="5497">Na favela, o cansaço começa antes do trabalho</h2>
<p data-start="5499" data-end="5613">Para muitos moradores de Manguinhos e de outras favelas, a jornada não se resume às horas registradas no contrato.</p>
<p data-start="5615" data-end="5849">Há o tempo de deslocamento. Há a espera pelo ônibus. Há o trem lotado. Há a volta tarde. Há o medo no caminho. Há o salário que nem sempre acompanha o custo da cidade. Há a responsabilidade doméstica que continua depois do expediente.</p>
<p data-start="5851" data-end="6108">O Censo 2022 mostrou que <strong data-start="5876" data-end="5960">9,3 milhões de pessoas no Brasil se deslocavam para trabalhar em outro município</strong>, o equivalente a 10,7% do total analisado; 7,9 milhões faziam esse deslocamento três dias ou mais por semana.</p>
<p data-start="6110" data-end="6501">No Rio de Janeiro, onde a mobilidade urbana é desigual, morar longe das áreas de emprego significa perder horas da vida em deslocamentos. Por isso, quando se fala em escala 6&#215;1, não estamos falando apenas de seis dias de trabalho. Estamos falando de seis dias de trabalho somados a seis dias de transporte, seis dias de cansaço acumulado e um único dia para tentar dar conta de todo o resto.</p>
<h2 data-section-id="1pf0266" data-start="6503" data-end="6543">A sobrecarga pesa mais sobre mulheres</h2>
<p data-start="6545" data-end="6579">O debate também tem gênero e raça.</p>
<p data-start="6581" data-end="6976">Segundo o IBGE, em 2022 as mulheres dedicavam, em média, <strong data-start="6638" data-end="6661">21,3 horas semanais</strong> aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, enquanto os homens dedicavam <strong data-start="6740" data-end="6754">11,7 horas</strong>. Entre pessoas ocupadas, as mulheres ainda dedicavam 6,8 horas a mais que os homens a essas atividades. Mulheres pretas apresentavam a maior taxa de realização de afazeres domésticos.</p>
<p data-start="6978" data-end="7180">Isso significa que, para muitas trabalhadoras, o fim do expediente não representa descanso. Representa o início de outra jornada: cuidar da casa, dos filhos, dos idosos, da comida, da roupa, da família.</p>
<p data-start="7182" data-end="7386">Quando uma mulher trabalha em escala 6&#215;1, especialmente se mora em território popular e depende de transporte público, o único dia de folga muitas vezes não é descanso. É o dia de colocar a vida em ordem.</p>
<h2 data-section-id="1rcp1rg" data-start="7388" data-end="7441">O país trabalha muito, mas nem sempre trabalha bem</h2>
<p data-start="7443" data-end="7745">O Brasil tinha <strong data-start="7458" data-end="7501">103 milhões de pessoas ocupadas em 2025</strong>, recorde da série histórica da PNAD Contínua. Ao mesmo tempo, a taxa de informalidade era de 38,1%, o que mostra que uma parte grande da população trabalha sem a proteção completa de direitos trabalhistas.</p>
<p data-start="7747" data-end="8125">Esse dado é importante porque o debate sobre a escala 6&#215;1 não deve ser usado para dividir trabalhadores formais e informais. Pelo contrário. A luta por redução da jornada precisa andar junto com a defesa de carteira assinada, renda digna, proteção previdenciária, fiscalização trabalhista, combate à pejotização fraudulenta e valorização de quem sustenta a cidade todos os dias.</p>
<p data-start="8127" data-end="8428">Também é preciso olhar para novas formas de exploração. Em 2024, o Brasil tinha 1,7 milhão de trabalhadores por plataformas digitais e aplicativos, segundo o IBGE. Esses trabalhadores tinham, em média, jornada habitual 5,5 horas maior que a dos demais ocupados.</p>
<p data-start="8430" data-end="8519">A escala 6&#215;1 é uma parte do problema. A precarização do tempo de vida é o problema maior.</p>
<h2 data-section-id="if60o7" data-start="8521" data-end="8567">Reduzir jornada não é acabar com o trabalho</h2>
<p data-start="8569" data-end="8682">Defender o fim da escala 6&#215;1 não é defender menos responsabilidade. É defender uma organização social mais justa.</p>
<p data-start="8684" data-end="8919">Trabalhadores querem trabalhar. Mas querem também descansar, estudar, cuidar da saúde, ver os filhos crescerem, visitar a família, participar da comunidade, viver relações afetivas, circular pela cidade e existir para além do trabalho.</p>
<p data-start="8921" data-end="9062">A pergunta central é simples: uma sociedade deve organizar a vida em torno do trabalho ou organizar o trabalho para que a vida seja possível?</p>
<p data-start="9064" data-end="9291">Para o Manguinhos On-line, a resposta é clara. O trabalho é fundamental, mas não pode engolir tudo. Nenhuma pessoa deve ser reduzida à função que exerce, ao uniforme que veste, ao crachá que carrega ou à meta que precisa bater.</p>
<h2 data-section-id="1bislos" data-start="9293" data-end="9352">O comércio, os serviços e a cidade também precisam mudar</h2>
<p data-start="9354" data-end="9593">Grande parte dos trabalhadores em escala 6&#215;1 está em setores essenciais para o funcionamento cotidiano da cidade: comércio, supermercados, farmácias, bares, restaurantes, limpeza, segurança, transporte, telemarketing, hotelaria e serviços.</p>
<p data-start="9595" data-end="9722">Essas áreas não podem simplesmente parar. Mas também não podem continuar funcionando às custas do adoecimento de quem trabalha.</p>
<p data-start="9724" data-end="9931">O desafio é reorganizar escalas, contratar mais, distribuir melhor jornadas, fiscalizar abusos e garantir que setores que funcionam todos os dias não dependam da exaustão permanente dos mesmos trabalhadores.</p>
<p data-start="9933" data-end="10025">Se a cidade precisa funcionar, ela precisa funcionar com dignidade para quem a mantém de pé.</p>
<h2 data-section-id="xgqu8f" data-start="10027" data-end="10067">A favela também quer tempo para viver</h2>
<p data-start="10069" data-end="10159">A frase que guia nosso posicionamento é direta: <strong data-start="10117" data-end="10158">a favela também quer tempo para viver</strong>.</p>
<p data-start="10161" data-end="10182">Tempo para descansar.</p>
<p data-start="10184" data-end="10211">Tempo para cuidar da saúde.</p>
<p data-start="10213" data-end="10232">Tempo para estudar.</p>
<p data-start="10234" data-end="10266">Tempo para acompanhar os filhos.</p>
<p data-start="10268" data-end="10299">Tempo para estar com a família.</p>
<p data-start="10301" data-end="10335">Tempo para circular no território.</p>
<p data-start="10337" data-end="10373">Tempo para participar da comunidade.</p>
<p data-start="10375" data-end="10401">Tempo para fazer política.</p>
<p data-start="10403" data-end="10453">Tempo para cultura, lazer, fé, amizade e silêncio.</p>
<p data-start="10455" data-end="10503">Tempo livre não é detalhe. É parte da cidadania.</p>
<p data-start="10505" data-end="10795">Quando trabalhadores de territórios populares vivem presos a jornadas longas, deslocamentos demorados e um único dia de folga, a democracia também perde. Porque participação social exige tempo. Formação política exige tempo. Cuidado coletivo exige tempo. Presença na comunidade exige tempo.</p>
<h2 data-section-id="1pj5ge1" data-start="10797" data-end="10820">Nosso posicionamento</h2>
<p data-start="10822" data-end="10972">O Manguinhos On-line se posiciona <strong data-start="10856" data-end="10882">pelo fim da escala 6&#215;1</strong>, pela redução da jornada sem redução salarial e pela ampliação dos direitos trabalhistas.</p>
<p data-start="10974" data-end="11261">Defendemos que o descanso seja tratado como direito social, não como privilégio. Defendemos que a vida do trabalhador tenha valor para além da produtividade. Defendemos que políticas públicas, empresas e parlamentares reconheçam que o tempo de quem trabalha também é um campo de disputa.</p>
<p data-start="11263" data-end="11483">A escala 6&#215;1 rouba descanso, saúde, convivência e tempo de vida. E quem sustenta a cidade funcionando também precisa dormir melhor, cuidar de si, estar com a família, circular no território e viver para além do trabalho.</p>
<p data-start="11485" data-end="11506">Descanso não é favor.</p>
<p data-start="11508" data-end="11532">Descanso não é fraqueza.</p>
<p data-start="11534" data-end="11554">Descanso não é luxo.</p>
<p data-start="11556" data-end="11579"><strong data-start="11556" data-end="11579">Descanso é direito.</strong></p>
<p data-start="11581" data-end="11608" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong data-start="11581" data-end="11608" data-is-last-node="">Pelo fim da escala 6&#215;1.</strong></p>
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