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	<title>Fim da escala 6&#215;1 &#8211; Manguinhos On-line</title>
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	<description>Jornalismo comunitário feito em Manguinhos</description>
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		<title>Fim da escala 6&#215;1: por que a jornada precisa mudar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Adriano Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 18:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos e assistência]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[direitos trabalhistas]]></category>
		<category><![CDATA[escala 6x1]]></category>
		<category><![CDATA[Fim da escala 6x1]]></category>
		<category><![CDATA[Jornada de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[Posicionamento editorial do Manguinhos On-line defende que descanso não é privilégio. É direito. Em territórios populares, a rotina de quem trabalha seis dias por semana também inclui transporte lotado, cuidado com a casa, baixos salários e pouco tempo para viver.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-start="1064" data-end="1298">Trabalhar seis dias e viver só um não dá conta da vida. Essa é a posição do <strong data-start="1140" data-end="1162">Manguinhos On-line</strong> diante do debate nacional sobre o fim da escala 6&#215;1, modelo em que o trabalhador atua seis dias na semana e tem apenas um dia de folga.</p>
<p data-start="1300" data-end="1765">A defesa da redução da jornada não é apenas uma pauta trabalhista. É uma discussão sobre saúde, tempo, família, transporte, cuidado, presença no território e dignidade. Para quem mora em favelas e periferias, a jornada não começa quando o expediente inicia. Começa antes: no ponto de ônibus, no trem lotado, no medo do caminho, na espera pelo transporte, na marmita feita às pressas, no filho que precisa ir para a escola, na casa que precisa continuar funcionando.</p>
<p data-start="1767" data-end="2195">A Constituição brasileira já limita a jornada normal a oito horas diárias e 44 horas semanais, além de garantir repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. Mas a existência formal de um dia de descanso não significa, na prática, tempo suficiente para recuperar o corpo, cuidar da saúde, conviver com a família, estudar, circular pela cidade e participar da vida comunitária.</p>
<h2 data-section-id="1gbrypw" data-start="2197" data-end="2223">O que está em discussão</h2>
<p data-start="2225" data-end="2652">O debate sobre a escala 6&#215;1 avançou no Congresso Nacional. Em maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC 221/2019, que estabelece jornada de 40 horas semanais, em cinco dias de trabalho e dois de descanso. A proposta prevê transição, manutenção dos salários e regras específicas para algumas carreiras. No segundo turno, foram 461 votos favoráveis e 19 contrários.</p>
<p data-start="2654" data-end="2916">A proposta ainda não está em vigor. Após a aprovação na Câmara, o texto seguiu para o Senado. O presidente da Casa informou que a PEC não iria diretamente ao plenário e deveria passar por comissões antes de eventual votação.</p>
<p data-start="2918" data-end="3156">Ou seja: o fim da escala 6&#215;1 ainda depende de tramitação. Mas o debate já deixou de ser uma conversa restrita a sindicatos, partidos ou especialistas. Virou tema de rua, de trabalho, de família, de comércio, de transporte e de comunidade.</p>
<p data-start="3158" data-end="3450">Pesquisa Datafolha divulgada em março de 2026 mostrou que <strong data-start="3216" data-end="3307">71% dos brasileiros defendiam a redução do número máximo de dias trabalhados por semana</strong>. No fim de 2024, esse percentual era de 64%. O crescimento mostra que a pauta ganhou força na sociedade.</p>
<h2 data-section-id="ys763m" data-start="3452" data-end="3474">Descanso não é luxo</h2>
<p data-start="3476" data-end="3578">O descanso não pode ser tratado como prêmio para quem “merece”. Descanso é condição mínima para viver.</p>
<p data-start="3580" data-end="3906">Quem trabalha seis dias por semana costuma usar o único dia de folga para resolver tudo aquilo que a semana de trabalho impede: lavar roupa, limpar casa, fazer compras, ir ao médico, acompanhar filhos, visitar familiares, resolver documentos, pagar contas, estudar, descansar e tentar recuperar o corpo para trabalhar de novo.</p>
<p data-start="3908" data-end="3971">Isso não é tempo livre. É sobrevivência comprimida em 24 horas.</p>
<p data-start="3973" data-end="4259">A Lei nº 605/1949 reconhece o direito ao repouso semanal remunerado de 24 horas consecutivas. A CLT também prevê intervalo mínimo de 11 horas entre duas jornadas. Esses direitos existem porque o corpo humano tem limite. O trabalhador não é máquina.</p>
<h2 data-section-id="n1ug3" data-start="4261" data-end="4294">Saúde também entra nessa conta</h2>
<p data-start="4296" data-end="4399">A discussão sobre jornada precisa ser feita junto com a discussão sobre saúde. Trabalhar demais adoece.</p>
<p data-start="4401" data-end="4758">A Organização Mundial da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho estimaram que longas jornadas estiveram associadas a <strong data-start="4527" data-end="4589">745 mil mortes por AVC e doença cardíaca isquêmica em 2016</strong>. O estudo considerou os efeitos de trabalhar 55 horas ou mais por semana e apontou aumento de 29% nessas mortes em relação a 2000.</p>
<p data-start="4760" data-end="5136">No Brasil, o adoecimento mental relacionado ao trabalho também vem chamando atenção. Segundo o Ministério da Previdência Social, em 2025 foram concedidos <strong data-start="4914" data-end="5006">546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais</strong>, alta de 15,66% em relação a 2024. O Rio de Janeiro registrou 41.997 benefícios desse tipo.</p>
<p data-start="5138" data-end="5447">É evidente que nem todo adoecimento mental tem uma única causa. Mas é impossível falar de ansiedade, depressão, estresse e exaustão sem olhar para a organização do trabalho, a pressão por produtividade, os baixos salários, a insegurança no emprego, o transporte precário e a falta de tempo real para descanso.</p>
<h2 data-section-id="83fpzh" data-start="5449" data-end="5497">Na favela, o cansaço começa antes do trabalho</h2>
<p data-start="5499" data-end="5613">Para muitos moradores de Manguinhos e de outras favelas, a jornada não se resume às horas registradas no contrato.</p>
<p data-start="5615" data-end="5849">Há o tempo de deslocamento. Há a espera pelo ônibus. Há o trem lotado. Há a volta tarde. Há o medo no caminho. Há o salário que nem sempre acompanha o custo da cidade. Há a responsabilidade doméstica que continua depois do expediente.</p>
<p data-start="5851" data-end="6108">O Censo 2022 mostrou que <strong data-start="5876" data-end="5960">9,3 milhões de pessoas no Brasil se deslocavam para trabalhar em outro município</strong>, o equivalente a 10,7% do total analisado; 7,9 milhões faziam esse deslocamento três dias ou mais por semana.</p>
<p data-start="6110" data-end="6501">No Rio de Janeiro, onde a mobilidade urbana é desigual, morar longe das áreas de emprego significa perder horas da vida em deslocamentos. Por isso, quando se fala em escala 6&#215;1, não estamos falando apenas de seis dias de trabalho. Estamos falando de seis dias de trabalho somados a seis dias de transporte, seis dias de cansaço acumulado e um único dia para tentar dar conta de todo o resto.</p>
<h2 data-section-id="1pf0266" data-start="6503" data-end="6543">A sobrecarga pesa mais sobre mulheres</h2>
<p data-start="6545" data-end="6579">O debate também tem gênero e raça.</p>
<p data-start="6581" data-end="6976">Segundo o IBGE, em 2022 as mulheres dedicavam, em média, <strong data-start="6638" data-end="6661">21,3 horas semanais</strong> aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, enquanto os homens dedicavam <strong data-start="6740" data-end="6754">11,7 horas</strong>. Entre pessoas ocupadas, as mulheres ainda dedicavam 6,8 horas a mais que os homens a essas atividades. Mulheres pretas apresentavam a maior taxa de realização de afazeres domésticos.</p>
<p data-start="6978" data-end="7180">Isso significa que, para muitas trabalhadoras, o fim do expediente não representa descanso. Representa o início de outra jornada: cuidar da casa, dos filhos, dos idosos, da comida, da roupa, da família.</p>
<p data-start="7182" data-end="7386">Quando uma mulher trabalha em escala 6&#215;1, especialmente se mora em território popular e depende de transporte público, o único dia de folga muitas vezes não é descanso. É o dia de colocar a vida em ordem.</p>
<h2 data-section-id="1rcp1rg" data-start="7388" data-end="7441">O país trabalha muito, mas nem sempre trabalha bem</h2>
<p data-start="7443" data-end="7745">O Brasil tinha <strong data-start="7458" data-end="7501">103 milhões de pessoas ocupadas em 2025</strong>, recorde da série histórica da PNAD Contínua. Ao mesmo tempo, a taxa de informalidade era de 38,1%, o que mostra que uma parte grande da população trabalha sem a proteção completa de direitos trabalhistas.</p>
<p data-start="7747" data-end="8125">Esse dado é importante porque o debate sobre a escala 6&#215;1 não deve ser usado para dividir trabalhadores formais e informais. Pelo contrário. A luta por redução da jornada precisa andar junto com a defesa de carteira assinada, renda digna, proteção previdenciária, fiscalização trabalhista, combate à pejotização fraudulenta e valorização de quem sustenta a cidade todos os dias.</p>
<p data-start="8127" data-end="8428">Também é preciso olhar para novas formas de exploração. Em 2024, o Brasil tinha 1,7 milhão de trabalhadores por plataformas digitais e aplicativos, segundo o IBGE. Esses trabalhadores tinham, em média, jornada habitual 5,5 horas maior que a dos demais ocupados.</p>
<p data-start="8430" data-end="8519">A escala 6&#215;1 é uma parte do problema. A precarização do tempo de vida é o problema maior.</p>
<h2 data-section-id="if60o7" data-start="8521" data-end="8567">Reduzir jornada não é acabar com o trabalho</h2>
<p data-start="8569" data-end="8682">Defender o fim da escala 6&#215;1 não é defender menos responsabilidade. É defender uma organização social mais justa.</p>
<p data-start="8684" data-end="8919">Trabalhadores querem trabalhar. Mas querem também descansar, estudar, cuidar da saúde, ver os filhos crescerem, visitar a família, participar da comunidade, viver relações afetivas, circular pela cidade e existir para além do trabalho.</p>
<p data-start="8921" data-end="9062">A pergunta central é simples: uma sociedade deve organizar a vida em torno do trabalho ou organizar o trabalho para que a vida seja possível?</p>
<p data-start="9064" data-end="9291">Para o Manguinhos On-line, a resposta é clara. O trabalho é fundamental, mas não pode engolir tudo. Nenhuma pessoa deve ser reduzida à função que exerce, ao uniforme que veste, ao crachá que carrega ou à meta que precisa bater.</p>
<h2 data-section-id="1bislos" data-start="9293" data-end="9352">O comércio, os serviços e a cidade também precisam mudar</h2>
<p data-start="9354" data-end="9593">Grande parte dos trabalhadores em escala 6&#215;1 está em setores essenciais para o funcionamento cotidiano da cidade: comércio, supermercados, farmácias, bares, restaurantes, limpeza, segurança, transporte, telemarketing, hotelaria e serviços.</p>
<p data-start="9595" data-end="9722">Essas áreas não podem simplesmente parar. Mas também não podem continuar funcionando às custas do adoecimento de quem trabalha.</p>
<p data-start="9724" data-end="9931">O desafio é reorganizar escalas, contratar mais, distribuir melhor jornadas, fiscalizar abusos e garantir que setores que funcionam todos os dias não dependam da exaustão permanente dos mesmos trabalhadores.</p>
<p data-start="9933" data-end="10025">Se a cidade precisa funcionar, ela precisa funcionar com dignidade para quem a mantém de pé.</p>
<h2 data-section-id="xgqu8f" data-start="10027" data-end="10067">A favela também quer tempo para viver</h2>
<p data-start="10069" data-end="10159">A frase que guia nosso posicionamento é direta: <strong data-start="10117" data-end="10158">a favela também quer tempo para viver</strong>.</p>
<p data-start="10161" data-end="10182">Tempo para descansar.</p>
<p data-start="10184" data-end="10211">Tempo para cuidar da saúde.</p>
<p data-start="10213" data-end="10232">Tempo para estudar.</p>
<p data-start="10234" data-end="10266">Tempo para acompanhar os filhos.</p>
<p data-start="10268" data-end="10299">Tempo para estar com a família.</p>
<p data-start="10301" data-end="10335">Tempo para circular no território.</p>
<p data-start="10337" data-end="10373">Tempo para participar da comunidade.</p>
<p data-start="10375" data-end="10401">Tempo para fazer política.</p>
<p data-start="10403" data-end="10453">Tempo para cultura, lazer, fé, amizade e silêncio.</p>
<p data-start="10455" data-end="10503">Tempo livre não é detalhe. É parte da cidadania.</p>
<p data-start="10505" data-end="10795">Quando trabalhadores de territórios populares vivem presos a jornadas longas, deslocamentos demorados e um único dia de folga, a democracia também perde. Porque participação social exige tempo. Formação política exige tempo. Cuidado coletivo exige tempo. Presença na comunidade exige tempo.</p>
<h2 data-section-id="1pj5ge1" data-start="10797" data-end="10820">Nosso posicionamento</h2>
<p data-start="10822" data-end="10972">O Manguinhos On-line se posiciona <strong data-start="10856" data-end="10882">pelo fim da escala 6&#215;1</strong>, pela redução da jornada sem redução salarial e pela ampliação dos direitos trabalhistas.</p>
<p data-start="10974" data-end="11261">Defendemos que o descanso seja tratado como direito social, não como privilégio. Defendemos que a vida do trabalhador tenha valor para além da produtividade. Defendemos que políticas públicas, empresas e parlamentares reconheçam que o tempo de quem trabalha também é um campo de disputa.</p>
<p data-start="11263" data-end="11483">A escala 6&#215;1 rouba descanso, saúde, convivência e tempo de vida. E quem sustenta a cidade funcionando também precisa dormir melhor, cuidar de si, estar com a família, circular no território e viver para além do trabalho.</p>
<p data-start="11485" data-end="11506">Descanso não é favor.</p>
<p data-start="11508" data-end="11532">Descanso não é fraqueza.</p>
<p data-start="11534" data-end="11554">Descanso não é luxo.</p>
<p data-start="11556" data-end="11579"><strong data-start="11556" data-end="11579">Descanso é direito.</strong></p>
<p data-start="11581" data-end="11608" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong data-start="11581" data-end="11608" data-is-last-node="">Pelo fim da escala 6&#215;1.</strong></p>
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