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	<title>Manguinhos On-line &#8211; Manguinhos On-line</title>
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	<description>Jornalismo comunitário feito em Manguinhos</description>
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		<title>Linhas de ônibus municipais do Rio sofrem alterações no número de viagens.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samuel Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte público]]></category>
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					<description><![CDATA[A prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), implementou neste domingo (16), o aumento e redução nas viagens de algumas linhas de ônibus do município. Confira abaixo as linhas que sofreram mudanças. Redução no número de viagens nas linhas: -3 277 Rocha Miranda × Candelária -11,5 292 [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), implementou neste domingo (16), o aumento e redução nas viagens de algumas linhas de ônibus do município.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Confira abaixo as linhas que sofreram mudanças.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Redução</strong> no número de viagens nas linhas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">-3 277 Rocha Miranda × Candelária</p>



<p class="wp-block-paragraph">-11,5 292 Engenho da Rainha × Castelo</p>



<p class="wp-block-paragraph">-5 298 Acari × Castelo</p>



<p class="wp-block-paragraph">-1,5 311 Engenheiro Leal × Candelária</p>



<p class="wp-block-paragraph">-28 312 Olaria × </p>



<p class="wp-block-paragraph">-5 313 Penha × Tiradentes</p>



<p class="wp-block-paragraph">-3 343 Jardim Oceânico × Candelária</p>



<p class="wp-block-paragraph">-10 361 Recreio × Castelo</p>



<p class="wp-block-paragraph">-6 474 Jacaré × Copacabana</p>



<p class="wp-block-paragraph">-2,5 483 Penha × General Osório</p>



<p class="wp-block-paragraph">-55 665 Pavuna × Saens Peña</p>



<p class="wp-block-paragraph">-24 696 Praia do Dendê × Méier</p>



<p class="wp-block-paragraph">-37,5 908 Bonsucesso × Terminal Deodoro</p>



<p class="wp-block-paragraph">-0,5 SN292 Engenho da Rainha × Castelo (Via Lapa)</p>



<p class="wp-block-paragraph">-3 SN298 Acari × Castelo (Via Lapa)</p>



<p class="wp-block-paragraph">-0,5 SN312 Penha × Candelária</p>



<p class="wp-block-paragraph">-3 SV474 Jacaré × Copacabana (Via Túnel Marcelo Alencar)</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Aumento</strong> no número de viagens nas linhas:</p>



<p class="wp-block-paragraph">+8,5: 254 Madureira × Candelária</p>



<p class="wp-block-paragraph">+9 265 Marechal Hermes × Castelo</p>



<p class="wp-block-paragraph">+9,5 275 Méier × Candelária</p>



<p class="wp-block-paragraph">+16,5 296 Irajá × Castelo</p>



<p class="wp-block-paragraph">+18 315 Recreio × Central</p>



<p class="wp-block-paragraph">+13,5 350 Irajá × Castelo</p>



<p class="wp-block-paragraph">+16 SVA665 Pavuna × Saens Peña (Via Dutra)</p>



<p class="wp-block-paragraph">+5 SVB665 Pavuna × Saens Peña (Via Costa Barros)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como pode-se observar, linhas de grande demanda de passageiros e linhas do serviço noturno (SN) sofreram com reduções &#8211; como a 312 e SN298. Por outro lado, houve um aumento (tímido) em linhas &#8220;fantasmas&#8221; como, as 275 Méier × Candelária e 350 Irajá × Castelo &#8211; ambas da Braso Lisboa.</p>



<h3 class="wp-block-heading">O que dizem os citados?</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Solicitada, a prefeitura por meio da secretaria não justificou a mudança até o fechamento desta matéria.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Exposição retrata a memória da pandemia nas favelas de Maré e Manguinhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samuel Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 16:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[Mostra reúne fotografias, depoimentos e experiências interativas que resgatam os desafios, a solidariedade e as vivências das comunidades durante a Covid 19.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A exposição &#8220;Favela Viva: enfrentamentos à Pandemia da Covid-19 em Maré e Manguinhos&#8221; está em cartaz no Pavilhão do Relógio, no Museu da Vida Fiocruz, reunindo fotografias, depoimentos, recursos interativos e conteúdos que retratam os impactos da pandemia e as estratégias de resistência construídas pelos moradores das duas favelas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desenvolvida ao longo de mais de dois anos pelo Museu da Vida Fiocruz, em parceria com organizações dos territórios, a mostra destaca ações de solidariedade, mobilização comunitária e enfrentamento à crise sanitária, valorizando a memória e o protagonismo das comunidades durante um dos períodos mais desafiadores da história recente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de preservar essas histórias, a exposição convida o público a refletir sobre saúde pública, desigualdades sociais e a importância das redes de apoio construídas nas periferias.A mostra permanece em cartaz até 31 de agosto, no Pavilhão do Relógio, no campus da Fiocruz, em Manguinhos. A visitação é gratuita e acontece durante o horário de funcionamento do Museu da Vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o mês de julho, o Museu da Vida funciona de terça a sábado, das 10h às 16h</p>
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		<title>Novas cores dos ônibus do Rio indicam regiões atendidas pelo Sistema Rio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Samuel Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 15:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Transporte]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[Novas cores]]></category>
		<category><![CDATA[Ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[Padronização]]></category>
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		<category><![CDATA[Transporte público]]></category>
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					<description><![CDATA[Padronização faz parte da reformulação do transporte municipal e prevê melhorias como monitoramento em tempo real, ar-condicionado e veículos mais acessíveis até 2028.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Quem circula pelas ruas do Rio de Janeiro já deve ter reparado que os novos ônibus estão ganhando uma identidade visual diferente. Além do tradicional amarelo, os veículos agora recebem faixas coloridas que identificam a região da cidade onde operam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mudança faz parte do Sistema Rio, projeto da Prefeitura que busca reorganizar e modernizar o transporte por ônibus no município. A implantação começou no fim do ano passado e a previsão é que todo o sistema esteja em funcionamento até 2028.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cada cor representa uma região da cidade:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Roxo: Santa Cruz</li>



<li>Laranja: Campo Grande e Guaratiba</li>



<li>Marrom: Bangu e Realengo</li>



<li>Azul claro: Barra da Tijuca</li>



<li>Rosa: Jacarepaguá</li>



<li>Verde: Anchieta, Grande Madureira e Grande Méier</li>



<li>Azul escuro: Pavuna e Zona da Leopoldina</li>



<li>Vermelho: Ilha do Governador</li>



<li>Cinza: Grande Tijuca, Centro e Zona Sul</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Além da nova identidade visual, o Sistema Rio também prevê uma série de melhorias na operação dos coletivos, entre elas:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Monitoramento dos ônibus em tempo real;</li>



<li>Ar-condicionado obrigatório em toda a frota;</li>



<li>Veículos mais acessíveis, com piso baixo em parte dos ônibus;</li>



<li>Reorganização do sistema de transporte municipal.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Essa não é a primeira tentativa de padronização da frota municipal. Em 2010, a cidade adotou um modelo semelhante, conhecido popularmente como &#8220;caixinhas de remédio&#8221;. Agora, a expectativa é que as mudanças tragam mais organização e qualidade ao transporte público carioca.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #5: Jayme Cardoso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Adriano Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[Comunicador popular e cria de Manguinhos, Jayme fala sobre memórias da infância, transformações urbanas e a importância da comunicação para valorizar a história, a cultura e as iniciativas do território.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As transformações de um território também podem ser percebidas pelas lembranças de quem cresceu acompanhando suas ruas, construções e paisagens mudarem ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta edição do Vozes de Manguinhos, ouvimos Jayme Cardoso, de 22 anos, estudante de Relações Públicas, comunicador popular e cria de Manguinhos. Morador da Rua 9, onde sua família permanece até hoje, Jayme construiu sua relação com o território entre a escola, as brincadeiras de infância, a antiga estação de trem, a Biblioteca Parque e a convivência com uma vizinhança sempre presente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suas memórias também são atravessadas por acontecimentos que transformaram profundamente Manguinhos, como as enchentes que atingem as famílias, as intervenções do PAC e a elevação da estação ferroviária, realizada diante da casa onde cresceu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao revisitar essas experiências, Jayme reflete sobre o papel da comunicação popular, a valorização da história local e o desejo de que Manguinhos seja reconhecido como um território de cultura, arte e produção comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ele compartilha suas lembranças e fala sobre o Manguinhos que viveu, aquele que acompanha no presente e o futuro que deseja ajudar a construir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1.&nbsp;<strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Me chamo Jayme Cardoso, cria de Manguinhos há 22 anos. Estudante de Relações Públicas e comunicador popular de Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com certeza me marcaram muito as enchentes arrasadoras, a obra do PAC em relação a elevação da estação (pois moro em frente) e a construção da Biblioteca Parque que passei bons tempos lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.&nbsp;<strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando penso em Manguinhos lembro da minha infância porque tenho memórias bem confortáveis como, estudar no CEMPA e dos primeiros amigos de Manguinhos que fiz lá, de comprar doces e refri no bar do falecido China e de brincar com as outras crianças da Rua 9 que inclusive, é aonde minha familia mora até hoje. Além disso, ainda é muito nítido, atravessar a antiga estação de trem pra tomar vacina no posto de saúde e da vizinhança animada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.&nbsp;<strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gostaria muito que a comunicação popular fosse mais valorizada, que as pessoas tivessem mais interesse em saber como funciona, como é importante e como podem contribuir para que funcione melhor. Mas acredito que já esteja ocorrendo uma transição de mentalidade da população, conforme o Jornal se mostra cada vez mais presente e trazendo pautas importantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.&nbsp;<strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acho super interessante ver o Manguinhos Online atuando, porque é um território muito extenso e precisa dessa comunicação popular pra sabermos das notícias e informações com um olhar mais preciso e mais cuidadoso. É importante também para valorizar a história do nosso território, para os moradores conhecerem o passado da comunidade através de pessoas que conhecem de verdade Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.&nbsp;<strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É meu sonho, primeiramente, ver Manguinhos passando por uma grande transformação envolvendo os rios que nos cercam, para que não tenhamos mais enchentes que destroem lares todos os verões. Seguindo, gostaria de ver as pessoas de fora vendo Manguinhos como um polo de cultura e arte, sendo reconhecida internacionalmente pela companhia de ballet, por exemplo. E que sejamos mais uma referência em comunicação popular, caminho este que já está sendo traçado com bastante sucesso e esforço pelo Manguinhos Online.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6.&nbsp;<strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Deixo meu pedido que valorizem os projetos locais, que compartilhem bastante as publicações do Manguinhos Online, que é um jornal com curadoria muito profissional, para que tenham grande alcance e nos conheçam nossa favela pelo o olhar do morador. E lembrando, para sermos valorizados e respeitados temos que primeiros nos valorizar e respeitar o solo de onde viemos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lembranças de Jayme percorrem diferentes momentos da história recente de Manguinhos. Da infância na Rua 9 às mudanças provocadas pelas obras do PAC, da antiga estação ferroviária à construção da Biblioteca Parque, sua trajetória pessoal também registra as transformações da paisagem e da vida comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, sua fala mostra que alguns problemas permanecem. As enchentes que marcaram sua experiência continuam ameaçando casas e interrompendo a rotina de muitas famílias, fazendo com que a recuperação dos rios e o enfrentamento das consequências das chuvas apareçam como condições fundamentais para o futuro do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse encontro entre memória e transformação que Jayme situa a importância da comunicação popular. Para ele, comunicar Manguinhos a partir de dentro significa oferecer informações mais próximas da realidade dos moradores, preservar a história local e apresentar a favela para além das imagens construídas por quem não conhece seu cotidiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao defender a valorização dos projetos locais, da cultura e das iniciativas comunitárias, Jayme também chama os próprios moradores a participarem dessa construção. Compartilhar informações, fortalecer quem atua no território e reconhecer o valor do lugar de onde se vem são maneiras de ampliar o alcance das vozes de Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua mensagem final reforça que o reconhecimento externo também começa pelo pertencimento: para que o território seja valorizado e respeitado, é preciso que seus moradores reconheçam suas histórias, fortaleçam suas iniciativas e respeitem o solo onde suas trajetórias foram construídas.</p>
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		<item>
		<title>Manguinhos On-line completa um ano e lança novo site com identidade visual renovada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manguinhos On-line]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[História e memória]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
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		<category><![CDATA[jornalismo comunitário]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[memória de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[novo site]]></category>
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					<description><![CDATA[Jornal comunitário criado por moradores celebra a trajetória iniciada em 2024 e amplia a cobertura de notícias, cultura, memória e oportunidades no território.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O Manguinhos On-line completou, nesta terça-feira (14), um ano desde seu lançamento público. Para marcar a data, o jornal comunitário apresentou uma nova identidade visual e colocou no ar um novo site, criado para reunir notícias, cultura, memória, oportunidades e informações de interesse dos moradores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comemoração representa o primeiro ano de atuação pública do projeto, mas a história do coletivo começou antes da primeira publicação nas redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As conversas iniciais surgiram em junho de 2024, quando moradores e ativistas começaram a discutir a criação de uma nova frente de comunicação para Manguinhos. A iniciativa nasceu da necessidade de construir uma comunicação feita a partir do território, com a linguagem, os olhares e as experiências de quem vive diariamente na comunidade.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Um ano de preparação antes do lançamento</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vez de criar uma página e começar imediatamente a publicar, o grupo decidiu dedicar quase um ano à preparação do projeto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre agosto de 2024 e julho de 2025, os integrantes priorizaram a formação interna, a troca de conhecimentos e o fortalecimento dos vínculos com o território. Durante esse período, participaram de eventos, acompanharam debates, conversaram com moradores e buscaram compreender as pautas, as urgências e as potencialidades de Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha foi resumida pelo coletivo em uma frase: <strong>“Primeiro escutar, depois comunicar.”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A proposta era evitar que o Manguinhos On-line se tornasse apenas mais uma página em busca de alcance nas redes sociais. Antes de publicar, o grupo buscou construir uma identidade própria e uma relação de confiança com as pessoas que vivem no território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O lançamento público aconteceu em 14 de julho de 2025, data escolhida por coincidir com o Dia da Liberdade de Pensamento. Naquele momento, os princípios discutidos durante o período de preparação começaram a se transformar em reportagens, entrevistas, coberturas e conteúdos de prestação de serviço.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Comunicação feita por quem vive Manguinhos</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde o início, o objetivo não foi apenas apresentar uma imagem “positiva” da favela. A proposta é ampliar o que pode ser considerado notícia e mostrar Manguinhos em toda a sua complexidade, incluindo seus problemas, reivindicações, memórias, iniciativas culturais e formas de organização comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“Manguinhos deve ser narrado por quem conhece, vive e constrói o território”</strong>, afirma o coletivo em sua apresentação institucional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante operações policiais, por exemplo, a cobertura busca mostrar os efeitos da violência sobre a rotina dos moradores, como a interrupção das aulas, o fechamento de unidades de saúde e o impacto sobre crianças, trabalhadores e famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, o jornal procura não limitar a comunidade às notícias sobre violência. Festas, projetos culturais, histórias de moradores, iniciativas sociais, oportunidades e conquistas da juventude também fazem parte da cobertura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse processo, o morador não aparece apenas como personagem de uma notícia. Ele é reconhecido como parte da construção das pautas, das histórias e dos sentidos produzidos pelo projeto.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Decisões construídas coletivamente</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Manguinhos On-line também adotou uma forma horizontal de organização. O coletivo não possui editor-chefe nem uma única pessoa responsável por definir os rumos do projeto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As pautas, coberturas, formatos e decisões são discutidos em conjunto, com responsabilidades compartilhadas entre os integrantes. Da escolha do tema até a publicação, as diferentes etapas passam pelo debate coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A estrutura busca evitar a concentração das decisões e transformar o próprio trabalho de comunicação em um espaço de aprendizado, no qual todos podem propor, ensinar e aprender.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo costuma começar nas conversas, nos acontecimentos, nas demandas e nas potencialidades do território. Depois, o coletivo discute a pauta, o olhar e a abordagem que serão adotados. Em seguida, vêm a apuração, as entrevistas, os registros, a escrita e a edição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após a publicação, os comentários, relatos e sugestões dos moradores ajudam a abrir novas conversas e podem gerar outras pautas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“A comunicação não termina na publicação”</strong>, destaca o grupo.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Novo site amplia atuação do projeto</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro aniversário também marca uma nova etapa do Manguinhos On-line. Com a nova identidade visual, o projeto passa a utilizar uma marca em azul e branco, com um traço inspirado nas casas e na paisagem urbana do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o novo site amplia o espaço disponível para organizar e aprofundar os conteúdos. Além das notícias, a plataforma reúne informações sobre cultura, memória, oportunidades, agenda, entrevistas e outros formatos produzidos pelo coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A criação de um espaço próprio também permite preservar as reportagens e construir um acervo sobre o cotidiano de Manguinhos, sem depender exclusivamente da circulação das publicações nas redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo do primeiro ano, o retorno dos moradores tornou-se uma das principais formas de avaliar o trabalho. Para o coletivo, comentários de pessoas que se reconhecem nas histórias publicadas possuem um significado que vai além dos números de curtidas, visualizações ou compartilhamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A proposta para os próximos anos é continuar ampliando a participação da comunidade e fortalecendo uma comunicação comprometida com os direitos, a memória, a cultura e a vida cotidiana do território.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>“Feito com o território, para o território e junto com quem vive nele.”</strong><br></p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #4 &#8211; Viviane Cruz</title>
		<link>https://manguinhosonline.com.br/vozes-de-manguinhos-4-viviane-cruz/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Manguinhos On-line]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 13:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[Nascida e criada em Manguinhos, Viviane fala sobre pertencimento, resistência, solidariedade e a luta por direitos e oportunidades no território.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">As histórias de um território também são construídas por quem permanece, observa suas transformações e participa diariamente da vida comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta edição do <strong>Vozes de Manguinhos</strong>, ouvimos <strong>Viviane</strong>, de 45 anos, nascida e criada em Manguinhos. Ao longo de sua trajetória, ela acompanhou de perto os desafios enfrentados pelos moradores, mas também a força da coletividade, a solidariedade entre vizinhos e a capacidade da comunidade de resistir e se reinventar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre memórias das brincadeiras nas ruas, das conversas nas portas de casa e da união nos momentos difíceis, Viviane fala sobre pertencimento, direitos básicos, cultura local e a importância de Manguinhos produzir suas próprias narrativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ela compartilha suas vivências e reflete sobre o território que conhece, defende e deseja ajudar a transformar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1.&nbsp;<strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu nome é Viviane, tenho 45 anos, sou nascida, crescida e criada dentro da comunidade de Manguinhos. E pude acompanhar de perto toda a realidade do nosso território. Aqui, aprendi muito sobre resistência, sobre coletividade e sobrevivência. E a minha história se mistura com muitas outras histórias de outras pessoas e suas vivências diárias. Enfrentamos e superamos desafios, e nesses momentos, consigo observar a união entre os moradores, que só quem vive aqui entende.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2.&nbsp;<strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando penso em manguinhos, eu lembro da força de muitas pessoas, adultos e crianças, que vivem em nossa comunidade, brincando nas ruas, nas conversas nas portas de casa e da solidariedade entre os vizinhos sempre que precisam um do outro. Uma pessoa que eu posso citar como exemplo e admiração é a poetisa Celeste Estrela, que escreve lindos poemas, livros e todo um conteúdo literário rico de sonhos e conhecimentos. Também vejo sentimento de luta, medo em alguns momentos, mas principalmente de pertencimento a uma comunidade que sempre te abraça e não te vira as costas. É um lugar que apesar de tudo é cheio de vida, de vida, de esperança e amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3.&nbsp;<strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A potência do território precisa ser mais valorizada. Os diversos trabalhadores, os projetos sociais, a cultura local e a inteligência coletiva da comunidade. Também é necessário mais cuidados com os direitos básicos, por exemplo, a saúde, a educação, a segurança, infraestrutura e habitação. Sempre com respeito e dignidade a quem vive aqui, ouvindo o morador e de fato atendendo às suas reais necessidades. Não apenas impondo o que a máquina costuma impor. A máquina pública costuma impor para as comunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4.&nbsp;<strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É muito importante que Manguinho produza suas próprias narrativas, porque por muito tempo, falaram sobre Manguinhos sem conhecer a realidade da nossa comunidade. Falaram de Manguinhos como se Manguinhos fosse única e exclusivamente definido em violência. Produzir as nossas próprias falas é garantir que a verdade venha de quem vive o dia a dia dentro do território. É mostrar que somos muito mais do que violência. Nós somos cultura, nós somos história, somos luta, transformação, resistência e poder. A comunicação comunitária do Manguinhos Online dá voz a quem sempre foi silenciado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5.&nbsp;<strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu gostaria de ver um manguinho com mais oportunidades. Onde os jovens têm acesso à educação, a cursos, ao desenvolvimento profissional e cultural, e oportunidade de trabalho digno. Um território com paz, com alegria, com incentivo público e com políticas públicas funcionando, e com muito mais reconhecimento da riqueza cultural do ser humano. Um lugar onde viver bem não seja exceção, mas seja a realidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6.&nbsp;<strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu gostaria de dizer para as pessoas que continuem resistindo, continuem ressignificando, continuem se apoiando e acreditando na força da nossa comunidade. Manguinhos é feito por cada pessoa que não desiste, que luta e que constrói diariamente no nosso território. Nossa voz importa e muito, e juntos somos e sempre seremos muito mais fortes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A fala de Viviane apresenta Manguinhos como um território marcado por desafios, mas também por vínculos, solidariedade e resistência coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao recordar as brincadeiras nas ruas, as conversas entre vizinhos e o apoio presente nos momentos mais difíceis, ela mostra que a vida comunitária é uma das principais forças do território. Sua trajetória se mistura às histórias de outras pessoas que constroem Manguinhos diariamente, mesmo diante da ausência de direitos e oportunidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Viviane também reivindica que os moradores sejam ouvidos na formulação das políticas públicas e que a comunidade deixe de ser representada apenas pela violência. Para ela, produzir as próprias narrativas é afirmar que Manguinhos também é cultura, memória, inteligência, transformação e poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua mensagem final reforça que a mudança nasce da participação coletiva. Continuar resistindo, apoiando iniciativas locais e reconhecendo o valor de cada morador são formas de fortalecer o território e construir um Manguinhos onde viver com dignidade seja uma realidade, e não uma exceção.</p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #3: Samuel Xavier</title>
		<link>https://manguinhosonline.com.br/vozes-de-manguinhos-3-samuel-xavier/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Manguinhos On-line]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
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					<description><![CDATA[Comunicador popular e fundador do Manguinhos On-line, Samuel fala sobre juventude, desigualdade, memória e a luta coletiva por um território mais digno.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O Vozes de Manguinhos segue apresentando as histórias dos comunicadores que ajudam a construir o Manguinhos On-line e que encontram na comunicação uma forma de registrar, questionar e transformar o território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta edição, ouvimos Samuel Xavier, de 19 anos, estudante de Jornalismo e um dos membros fundadores do coletivo. Nascido e criado em Manguinhos, Samuel carrega em sua trajetória a memória de uma família que participou da formação do Conjunto Habitacional Nelson Mandela e as marcas de uma juventude atravessada pelas desigualdades, pela violência e pelo desejo de mudança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre lembranças familiares, experiências vividas durante operações policiais e reflexões sobre cultura, educação, memória e direito à cidade, Samuel apresenta um olhar jovem, crítico e profundamente ligado à vida comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ele conta um pouco de sua história e do Manguinhos que conhece, questiona e deseja ajudar a construir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. <strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sou Samuel Xavier, tenho 19 anos. Minha família veio do Espírito Santo para os barracos de palafita do Jacarezinho e foi uma das primeiras moradoras do Conjunto Habitacional Nelson Mandela. Nasci e cresci em Manguinhos, onde morei por cerca de 16 anos. Foi aqui que construí minhas vivências, minhas relações e a forma como enxergo o mundo. Passei poucas e boas por lá, mas foram justamente essas experiências que despertaram em mim um sentimento de revolta diante das desigualdades e me fizeram me organizar enquanto morador, batalhando por um futuro melhor para o território e para quem vive nele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. <strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Cenas muito opostas me fazem lembrar de Manguinhos. Mas, sem dúvidas, a que mais me marcou foi no dia da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A polícia invadiu a comunidade enquanto eu estava com minha tia e meu irmão em um beco. O confronto começou dos dois lados e nós ficamos no meio do tiroteio. Foi quando um casal de mulheres abriu a janela, viu a nossa situação e nos chamou para entrar na casa delas. Tivemos que esperar um bom tempo até conseguir atravessar a troca de tiros. Depois que as balas pararam, entramos e permanecemos lá por longas horas. Enquanto isso, do lado de fora, a cidade comemorava por sediar um dos maiores eventos do mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. <strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os equipamentos culturais, os diversos projetos sociais e as instituições presentes no território precisam ser mais valorizados. Manguinhos tem o quinto pior IDH do estado, e acredito que nossas instituições de ensino deveriam receber mais investimentos. Justamente por serem consideradas instituições-modelo, elas refletem muito do que se pretende oferecer como educação para a população mais pobre. Alguns patrimônios históricos também merecem mais cuidado, como a igreja projetada por Oscar Niemeyer e a primeira estação de trem elevada da América Latina.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. <strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para reforçar sua resistência. A comunidade que se desenvolveu junto com a Fiocruz hoje não desenvolve apenas a instituição, mas também a cidade. As histórias, os dilemas, os sofrimentos e as experiências dos moradores impactam toda a sociedade. Esse impacto precisa ser reconhecido como um problema social, e não apenas como um problema local.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. <strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gostaria de ver um Manguinhos conhecido pela sua diversidade cultural, com menos trânsito, mais limpo, com menos enchentes, sem incursões policiais truculentas e livre dos estereótipos que ainda marcam o território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. <strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nunca percam o senso de comunidade, porque sempre será nós por nós. Todas as mudanças que precisamos construir serão feitas juntos. Nunca podemos desistir de ter, ao menos, um pingo de dignidade. É justamente quando nos conformamos com a precariedade que a desigualdade se fortalece. Precisamos dar um basta nisso e continuar lutando por uma vida mais digna para todos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A trajetória de Samuel revela como as experiências vividas em Manguinhos podem produzir não apenas marcas, mas também consciência, indignação e vontade de transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao lembrar a história de sua família, denunciar a naturalização da violência e defender a valorização dos equipamentos culturais, educacionais e históricos do território, Samuel mostra que falar de Manguinhos é também falar sobre as desigualdades que atravessam toda a cidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua fala reforça que a comunicação popular nasce justamente desse compromisso: transformar vivências individuais em memória coletiva, denunciar aquilo que não pode ser tratado como normal e disputar o futuro do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre a revolta diante da precariedade e a esperança construída pela organização comunitária, Samuel deixa uma mensagem direta: nenhuma mudança será feita de forma isolada. Preservar o senso de comunidade, recusar a conformidade e continuar lutando por dignidade também são formas de construir um novo Manguinhos.</p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #2: Isabella Marques</title>
		<link>https://manguinhosonline.com.br/vozes-de-manguinhos-2-isabella-marques/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Manguinhos On-line]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 12:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[Estudante de Ciências Sociais e cria de Manguinhos, Isabella fala sobre memória, pertencimento, saberes populares e a construção coletiva de um território mais justo e sustentável.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Manguinhos não deixa de fazer parte de alguém quando essa pessoa atravessa suas fronteiras. O território permanece nas lembranças, nos vínculos familiares, na maneira de compreender o mundo e nas escolhas construídas ao longo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta edição do Vozes de Manguinhos, ouvimos Isabella Marques, estudante de Licenciatura em Ciências Sociais na UFRJ, nascida e criada em Manguinhos. Embora atualmente não more mais no território, Isabella reconhece a favela como o lugar onde sua identidade começou a ser formada e onde teve seus primeiros contatos com as desigualdades, os afetos e as formas coletivas de viver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre lembranças dos encontros familiares na laje, experiências marcadas pela violência do Estado e reflexões sobre justiça social, solidariedade e pertencimento, Isabella apresenta Manguinhos como um território que produz conhecimentos, consciência política e potência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ela compartilha suas memórias e reflete sobre o reconhecimento dos saberes dos moradores, a disputa das narrativas sobre a favela e o futuro que deseja para Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. <strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Olá, eu me chamo Isabella Marques, é… sou estudante da UFRJ, curso Licenciatura em Ciências Sociais e sou cria de Manguinhos, ex-moradora de Manguinhos, mas sou nascida e criada na favela [de Manguinhos]. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Então, minha história com Manguinhos se inicia quando eu nasço, né? Na verdade, bem antes, quando os meus antepassados, a minha avó, a minha mãe, os meus avós, enfim, decidiram vir para cá, para o Rio de Janeiro. Meu avô já era carioca. E construíram a casa em que vivi a maior parte da minha vida. Tenho muitas lembranças boas de Manguinhos. Foi o lugar onde eu entendi e aprendi muito, e que formou a minha identidade. É um lugar que marca as minhas memórias, o primeiro contato com o mundo que eu tive. O meu mundo, quando eu era pequena, era Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bom, agora adulta, vejo que tem muitas coisas que fazem parte da pessoa que sou hoje. E que as minhas percepções sociais, como a minha sede por justiça social, toda a raiva que organizei depois politicamente em relação às injustiças sociais, à violência do estado, à violência de gênero&#8230; enfim, tudo isso foram coisas que me atravessaram, sendo moradora de favela, sobretudo de Manguinhos. Então, acho que isso me formou, formou a minha identidade e a potência que sou hoje como sujeito social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. <strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">As minhas lembranças são muito marcadas pelo que a minha família viveu e passou. E bom, as cenas e os sentimentos também são atravessados por isso. Sinto uma saudade de acordar de manhã nos finais de semana e a minha família estar na minha laje fazendo churrasco. Enfim, acordar com aquela agitação boa e bacana de família. Um sentimento de festa, sabe?</p>



<p class="wp-block-paragraph">E uma liberdade maior de segurança, de andar pelas ruas à noite e saber que vou chegar em casa e que, enfim, posso passar por outros tipos de violência, mas não vou ser assaltada, por exemplo. Essa questão da segurança mudou muito para mim ao longo da vida. Eu lembro dessas coisas que são boas e de coisas ruins também, lógico. Lembro das sensações e dos sentimentos que eu tinha quando havia operação policial e eu não ia para a escola. Tenho uma lembrança horrível da minha família se escondendo na nossa escada, que era o lugar mais afastado da porta e da janela, porque jogaram gás lacrimogêneo na rua.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tem tudo isso. Mas também tenho essas lembranças boas dos verões na laje da minha avó, com piscina, galão de água e tudo mais, eu tentando aprender a soltar pipa. Nunca aprendi, mas enfim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. <strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Acho que o que precisa ser mais reconhecido é uma noção de solidariedade que move os moradores de favela e de Manguinhos. É muito interessante que a gente se junta para resolver problemas que são coletivos, se solidariza com o outro. Isso precisa ser reconhecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, todo saber é válido e as pessoas moradoras de favela têm muito saber. Só que esse saber muitas das vezes é lido como descartável, um saber que não é saber. Mas acho que toda aplicação de política pública na favela, por exemplo, deveria e deve passar pelos saberes das pessoas que moram e vivem naquele território. Então, Manguinhos concentra muitos saberes e isso deve ser reconhecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. <strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas porque sempre dizem muitas coisas sobre lá, e são sempre coisas muito ruins. Não reconhecem os nossos saberes, não reconhecem as nossas potências, e muitas vezes só nos reduzem à violência e à marginalidade, o que é um grande erro. Na verdade, é um grande erro proposital, um projeto de como querem que a população veja os lugares periféricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Manguinhos, na maioria das vezes que aparece no jornal, é só para relatar as nossas dificuldades. E aí parece que a gente é só isso, que ser morador de Manguinhos é só sofrer violência. Lógico que não estou ignorando que a gente sofre violência, mas tem outro aspecto que produz potência. Então, produzir as próprias narrativas disputa como a história do território vai se construindo e como as noções imagéticas sobre os próprios moradores se constituem para fora da favela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. <strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Gostaria de ver um Manguinhos verde, cheio de árvores e com o rio Faria Timbó despoluído. Gostaria de ver espaços de lazer não abandonados, que fossem preservados. Gostaria de ver muitos empregos em Manguinhos também, que a maioria dos moradores tivesse acesso a coisas dignas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lazer é digno. Ter um espaço verde influencia no ar que a gente respira, e o meio ambiente influencia muito em como nos relacionamos com ele. Então, o Manguinhos do futuro que eu queria ver é um que nutrisse essa cultura ambiental de preservação e que, além disso, fosse referência para muitas coisas. Como já somos, mas precisamos avançar em vários aspectos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. <strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mensagem que eu deixaria é que o que fazemos dentro da nossa casa influencia na maneira como nos relacionamos com o território como um todo. Acho que isso é uma provocação e um recado também: a maneira como cuidamos da nossa casa, como entendemos que ela nos pertence, essa noção de pertencimento tem que ir além da sua porta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Preservar todo o ambiente em que você vive é muito importante, para além da sua própria casa. Ter esse senso de comunidade, a reivindicação de uma coleta de lixo que abarque as necessidades dos moradores, uma noção de não desperdiçar as coisas, que isso prevaleça, sobretudo. Acho que é isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lembranças de Isabella revelam um Manguinhos construído por contrastes: entre os churrascos familiares na laje e os momentos de medo durante operações policiais; entre a sensação de liberdade proporcionada pela vida comunitária e as violências que atravessam a experiência de quem cresce em uma favela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao olhar para essas vivências, Isabella mostra que o território não apenas guarda suas memórias, mas também ajudou a formar sua identidade, sua consciência política e sua busca por justiça social. Mesmo não sendo mais moradora, ela continua reconhecendo Manguinhos como parte fundamental da pessoa que se tornou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua fala também reivindica o reconhecimento dos conhecimentos produzidos dentro da favela. Para Isabella, ouvir os moradores não deve ser apenas uma etapa complementar das políticas públicas, mas o ponto de partida para qualquer ação que pretenda transformar o território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre a valorização da solidariedade comunitária, a defesa de um Manguinhos mais verde e o chamado para que o cuidado ultrapasse as portas de cada casa, Isabella reforça que pertencimento também significa responsabilidade coletiva. Cuidar do lugar onde se vive, preservar sua memória e disputar as narrativas construídas sobre ele são formas de afirmar que Manguinhos é muito maior do que as violências pelas quais costuma ser representado.</p>
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		<title>Vozes de Manguinhos #1: Adriano Rodrigues</title>
		<link>https://manguinhosonline.com.br/vozes-de-manguinhos-adriano-rodrigues/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Manguinhos On-line]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 12:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vozes de Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação comunitária]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Manguinhos On-line]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[Comunicador do Manguinhos On-line, Adriano fala sobre memória, território e a importância de Manguinhos contar suas próprias histórias.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Manguinhos é formado por muitas histórias, memórias e maneiras de compreender o território. Durante décadas, porém, grande parte dessas experiências foi contada a partir do olhar de quem observa a comunidade de fora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Vozes de Manguinhos nasce para ajudar a transformar essa realidade. O novo quadro do Manguinhos On-line abre espaço para que moradores, trabalhadores, artistas, lideranças, comunicadores e outras pessoas que constroem o território possam registrar suas vivências e contar Manguinhos a partir de seus próprios olhares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para abrir a série, os primeiros relatos vêm de quem também participa da construção dessa escuta: os integrantes do Manguinhos On-line. Nesta edição, conversamos com Adriano Rodrigues, cria de Manguinhos, doutorando em Comunicação pela UERJ, pesquisador de comunicação comunitária e membro fundador do coletivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre lembranças da infância, experiências marcadas pela violência, reflexões sobre o papel da mídia e esperanças para o futuro, Adriano fala sobre o território que formou sua identidade e despertou seu interesse pela comunicação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A seguir, ele compartilha sua história e explica por que acredita que Manguinhos precisa contar, preservar e disputar as próprias narrativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">1. <strong>Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sou Adriano Rodrigues, doutorando em Comunicação pela UERJ, e pesquiso comunicação comunitária. Mas, antes de tudo isso, eu sou um cria de Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nasci e cresci aqui. Minha mãe também nasceu e cresceu em Manguinhos. Meu pai veio do Nordeste ainda jovem, como tantos outros nordestinos, buscando uma vida melhor no Rio de Janeiro. Foi aqui que eles se conheceram, construíram a família e foi aqui que eu cresci. Então, quando eu falo de Manguinhos, eu não estou falando de um lugar onde morei. Eu estou falando do lugar que me formou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Toda a minha vida aconteceu aqui. Foi aqui que fiz amizades que levo até hoje, que aprendi a enxergar o mundo, que comecei a entender as desigualdades, mas também a força que existe dentro de uma comunidade. Acho que, de certa forma, escolher estudar comunicação não foi por acaso. Crescer em Manguinhos me fez perceber muito cedo que existia uma diferença enorme entre o território que eu conhecia e aquele que aparecia na televisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto eu via solidariedade, cultura, vizinhos que se conheciam pelo nome e uma comunidade extremamente viva, quase sempre a mídia mostrava só a violência. Isso sempre me incomodou muito. E foi justamente dessa inquietação que nasceu o meu interesse pela comunicação comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Anos depois, em 2024, essa vontade ganhou uma forma mais concreta com o Manguinhos On-line. A ideia nunca foi criar apenas um portal de notícias, mas construir um espaço onde a própria comunidade pudesse contar sua história, registrar sua memória e mostrar que Manguinhos é muito maior do que os estereótipos que foram criados sobre ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. <strong>Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É engraçado porque, quando penso em Manguinhos, vêm sentimentos completamente diferentes ao mesmo tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira lembrança é da infância. Daquela liberdade que hoje parece até estranha. A gente passava horas brincando na rua, jogando bola, andando de bicicleta, inventando brincadeiras, indo na casa dos amigos. Minha maior preocupação era ir para a escola, fazer o dever de casa e esperar dar a hora de brincar de novo. Era uma infância muito simples, mas muito feliz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, conforme fui crescendo, outras lembranças começaram a ocupar esse espaço. A violência passou a fazer parte da rotina de uma forma que nunca deveria acontecer com ninguém. Os dias de operação eram dias de medo. Já fiquei preso em comércio, em escola, esperando os tiros pararem para conseguir voltar para casa. Isso acaba deixando marcas que nem sempre são visíveis, mas que ficam com a gente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E acho que existe uma coisa muito cruel nisso tudo, porque a gente acaba naturalizando situações que jamais deveriam ser normais. Crescer sabendo diferenciar o som dos tiros, mudar o caminho por causa de operação ou cancelar compromissos porque &#8220;o clima não está bom&#8221; não deveria fazer parte da vida de ninguém.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, apesar disso tudo, quando penso em Manguinhos hoje, também sinto esperança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos eu tenho visto nascer muita coisa bonita. Coletivos culturais, projetos sociais, iniciativas de comunicação, pessoas produzindo conteúdo, empreendendo, ocupando espaços que antes pareciam impossíveis. Acho que a internet e as redes sociais deram voz para muita gente que nunca teve oportunidade de mostrar seu trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então Manguinhos, para mim, é isso, um território cheio de cicatrizes, mas que nunca deixou de produzir vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. <strong>Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se eu tivesse que escolher uma coisa, diria que são as pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe uma tendência muito grande de olhar para Manguinhos apenas pelos problemas. Só que quem vive aqui sabe que o território funciona porque existem centenas de pessoas que dedicam suas vidas a cuidar dele. Tem professores, agentes de saúde, lideranças comunitárias, artistas, comunicadores, pesquisadores, coletivos, projetos sociais&#8230; gente que trabalha todos os dias para tornar Manguinhos um lugar melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas pessoas quase nunca aparecem. E, quando aparecem, normalmente é porque ganharam algum prêmio ou fizeram algo extraordinário. Mas, para mim, o extraordinário é justamente o trabalho cotidiano que elas realizam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também acho que a gente precisa valorizar mais esse senso de comunidade que ainda existe aqui. Em muitos lugares da cidade você nem conhece quem mora no apartamento ao lado. Em Manguinhos ainda existe uma relação diferente. As pessoas se conhecem, sabem o nome umas das outras, perguntam como a família está, ajudam quando alguém precisa. Claro que isso não acontece em todos os lugares e nem com todas as pessoas, mas ainda é uma característica muito forte do território.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Às vezes eu gosto de pensar que Manguinhos guarda um pouco dessa lógica das comunidades tradicionais, onde a vida não é construída só individualmente, mas também coletivamente. Acho que isso precisa ser preservado, porque é uma das maiores riquezas que a gente tem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, claro, também espero que iniciativas como o Manguinhos On-line possam contribuir para esse reconhecimento. Quanto mais a gente registra e divulga o que existe de bom aqui, mais difícil fica reduzir Manguinhos a uma única narrativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. <strong>Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque durante muito tempo outras pessoas falaram por nós.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando alguém de fora conta a história de Manguinhos, normalmente ela chega aqui em um momento específico, vê um recorte da realidade e vai embora. Quem vive aqui sabe que a vida no território é muito mais complexa do que isso. Existem problemas, claro, e eles precisam ser mostrados. Mas também existem histórias de superação, de afeto, de cultura, de ciência, de educação, de gente que transforma a vida de outras pessoas todos os dias. E essas histórias quase nunca ganham espaço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A comunicação comunitária é importante justamente porque ela muda esse lugar de fala. Não é mais alguém interpretando quem nós somos. Somos nós contando a nossa própria história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi muito dessa inquietação que nasceu o Manguinhos On-line. A ideia nunca foi esconder os problemas do território ou pintar uma realidade perfeita. Pelo contrário. É mostrar Manguinhos por inteiro. Mostrar as dificuldades, mas também mostrar tudo aquilo que faz a gente sentir orgulho de morar aqui. Porque uma comunidade só consegue preservar sua memória quando ela mesma registra sua história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">5. <strong>Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu sonho com um Manguinhos onde as crianças possam viver a infância que eu vivi, mas sem o medo que também fez parte dela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Queria que elas pudessem brincar na rua, voltar da escola tranquilas, ocupar os espaços públicos, frequentar projetos culturais e esportivos sem que uma operação policial interrompesse a rotina. Parece algo simples, mas infelizmente ainda não é a realidade de muita gente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também gostaria de ver Manguinhos sendo reconhecido pelas coisas boas que produz. A Fiocruz está aqui, existem coletivos incríveis, artistas, pesquisadores, comunicadores, empreendedores&#8230; existe muito conhecimento sendo produzido dentro do território. Acho que a gente precisa fazer com que isso apareça mais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E espero que, daqui a alguns anos, quando alguém ouvir o nome Manguinhos, a primeira imagem que venha à cabeça não seja a violência. Que pense também em ciência, cultura, comunicação, educação, potência e transformação social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No fim das contas, eu queria um Manguinhos que continuasse preservando esse senso de comunidade que sempre existiu, mas com muito mais oportunidades para quem nasce e cresce aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. <strong>Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu acho que a primeira coisa é agradecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Agradecer a todas as pessoas que, mesmo enfrentando tantas dificuldades, continuam acreditando no território e trabalhando para que ele seja um lugar melhor. Às vezes a gente olha para um projeto social, um coletivo cultural ou uma iniciativa comunitária e esquece que, por trás daquilo, existem pessoas dedicando tempo, energia e, muitas vezes, recursos próprios para fazer acontecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também queria dizer para que a gente não deixe de contar as nossas histórias. Parece uma coisa simples, mas não é. Quando a gente registra uma memória, uma fotografia, um vídeo, uma reportagem ou um relato de vida, a gente está construindo a história de Manguinhos a partir do olhar de quem realmente vive aqui.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E, por fim, queria deixar um convite&#8230; ocupem os espaços. Participem dos coletivos, valorizem os pequenos negócios, fortaleçam quem produz cultura, comunicação e conhecimento dentro do território. Nenhum projeto transforma uma comunidade sozinho. Mas, quando várias pessoas acreditam na mesma ideia e caminham juntas, a transformação deixa de ser um sonho e começa a acontecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nisso que eu acredito. E é por isso que continuo acreditando em Manguinhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8211;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A história de Adriano marca a abertura do Vozes de Manguinhos e apresenta o sentido que orienta o quadro: registrar o território a partir das pessoas que vivem, constroem e comunicam Manguinhos por dentro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Suas lembranças revelam uma comunidade atravessada por contrastes. De um lado, a liberdade das brincadeiras na rua, as amizades, a solidariedade entre vizinhos e a força da vida coletiva. Do outro, o medo provocado pelas operações policiais e a naturalização de situações que jamais deveriam fazer parte da infância ou da rotina de qualquer pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi também a partir desse contraste que Adriano passou a questionar a distância entre o Manguinhos vivido por seus moradores e aquele frequentemente apresentado pela mídia. Sua trajetória mostra como essa inquietação encontrou na comunicação comunitária uma possibilidade de ação, memória e transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao defender que a comunidade conte suas próprias histórias, Adriano não propõe esconder os problemas do território, mas ampliar o modo como ele é visto. Registrar Manguinhos por inteiro significa denunciar suas desigualdades, reconhecer quem trabalha diariamente por sua transformação e valorizar tudo aquilo que também produz orgulho, conhecimento e pertencimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre cicatrizes, memórias e esperanças, sua fala deixa um convite: ocupar os espaços, fortalecer as iniciativas locais e continuar acreditando que, quando uma comunidade registra a própria história e caminha coletivamente, a transformação começa a deixar de ser apenas um sonho.</p>
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		<title>Ler de graça: conheça o MEC Livros, biblioteca digital gratuita do governo federal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Adriano Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 20:30:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[Plataforma reúne milhares de obras nacionais e internacionais e pode ser acessada por estudantes, professores, famílias e leitores em geral pelo site ou aplicativo, com login pela conta gov.br.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-start="726" data-end="1067">O Ministério da Educação disponibilizou o <strong data-start="768" data-end="782">MEC Livros</strong>, uma biblioteca digital pública e gratuita voltada para ampliar o acesso à leitura em todo o país. A plataforma reúne obras nacionais e internacionais e pode ser usada por quem quer estudar, se preparar para provas, fazer trabalhos escolares ou simplesmente criar o hábito da leitura.</p>
<p data-start="1069" data-end="1437">A iniciativa funciona como uma biblioteca digital: o usuário acessa a plataforma, escolhe uma obra disponível no catálogo e pode ler pelo celular, tablet ou computador. O acesso é feito com a conta gov.br, pelo site oficial ou pelo aplicativo MEC Livros. O site oficial identifica o serviço como <strong data-start="1365" data-end="1398">Biblioteca Digital MEC Livros</strong>.</p>
<p data-start="1439" data-end="1692">Segundo informações da plataforma divulgadas em reportagem de referência do g1, o acervo tem quase 8 mil obras, entre clássicos da literatura brasileira, títulos contemporâneos, best-sellers e livros infantojuvenis .</p>
<h2 data-section-id="h9uk04" data-start="1694" data-end="1718">O que é o MEC Livros?</h2>
<p data-start="1720" data-end="2014">O MEC Livros é uma biblioteca digital pública e gratuita. O acervo reúne obras literárias nacionais e internacionais, incluindo livros em domínio público e títulos contemporâneos licenciados. A plataforma atende estudantes, professores e leitores em geral .</p>
<p data-start="2016" data-end="2202">Na prática, a ferramenta permite que pessoas que não têm condições de comprar livros ou que não têm uma biblioteca física por perto possam acessar obras de forma digital e sem pagamento.</p>
<h2 data-section-id="w1vnog" data-start="2204" data-end="2220">Como acessar?</h2>
<p data-start="2222" data-end="2398">O acesso pode ser feito pelo site oficial do MEC Livros ou pelo aplicativo da plataforma. Para entrar, é necessário usar uma conta gov.br .</p>
<p data-start="2400" data-end="2651">No primeiro acesso, o usuário também pode selecionar seus gêneros literários favoritos. A partir dessas escolhas, a plataforma passa a personalizar recomendações de leitura de acordo com as preferências indicadas .</p>
<h2 data-section-id="1lf6m9p" data-start="2653" data-end="2687">Quais livros estão disponíveis?</h2>
<p data-start="2689" data-end="2871">O acervo tem quase 8 mil obras. Entre os destaques estão clássicos consagrados, autores brasileiros, obras internacionais e livros voltados para diferentes públicos e faixas etárias.</p>
<p data-start="2873" data-end="3173">Entre os nomes citados no catálogo estão autores como Clarice Lispector, José Saramago e Ariano Suassuna. A plataforma também reúne best-sellers contemporâneos e obras em domínio público, que podem melhorar a experiência de leitura digital em formatos adaptados .</p>
<h2 data-section-id="1adme3n" data-start="3175" data-end="3205">Como funciona o empréstimo?</h2>
<p data-start="3207" data-end="3358">O MEC Livros não funciona como um download comum. A plataforma adota um sistema de empréstimo temporário, parecido com o de uma biblioteca tradicional.</p>
<p data-start="3360" data-end="3597">O usuário pega uma obra emprestada por até 14 dias. Depois desse período, existe a possibilidade de renovação por mais 14 dias. A leitura pode ser feita diretamente pelo navegador ou pelo aplicativo .</p>
<h2 data-section-id="ka7s7y" data-start="3599" data-end="3646">Posso pegar mais de um livro ao mesmo tempo?</h2>
<p data-start="3648" data-end="3819">Não. O sistema permite apenas um empréstimo por vez. Um novo livro só pode ser solicitado depois que a obra anterior for devolvida .</p>
<h2 data-section-id="bcfxqr" data-start="3821" data-end="3846">Por que vale conhecer?</h2>
<p data-start="3848" data-end="4010">Além de reunir livros gratuitos em um só lugar, o MEC Livros pode ajudar estudantes, famílias e qualquer pessoa que queira começar ou retomar o hábito da leitura.</p>
<p data-start="4012" data-end="4171">A plataforma também pode ser usada como apoio para trabalhos escolares, preparação para provas, aprofundamento em temas de interesse ou leitura no tempo livre.</p>
<p data-start="4173" data-end="4284">Como destacou o Manguinhos On-line em publicação nas redes sociais, ler também é direito, lazer e oportunidade.</p>
<h2 data-section-id="1c8rnoh" data-start="4286" data-end="4303">Acessibilidade</h2>
<p data-start="4305" data-end="4522">A plataforma foi desenhada com recursos de acessibilidade, como ajuste de tamanho de fonte e contraste, suporte para pessoas com dislexia e compatibilidade com leitores de tela .</p>
<p data-start="4524" data-end="4700">Esses recursos são importantes para ampliar o acesso de pessoas com diferentes necessidades de leitura, especialmente em uma ferramenta pública voltada para educação e cultura.</p>
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