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O que é racismo ambiental? Entenda o conceito e os impactos em Manguinhos

Entenda o que é racismo ambiental, como ele aparece nas cidades e por que o conceito ajuda a explicar problemas como enchentes, saneamento, lixo e poluição em Manguinhos.
08/07/2026 | 18h00
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Afinal, o que é racismo ambiental?

Racismo ambiental é um conceito usado para explicar como os problemas ambientais não afetam todas as pessoas da mesma forma.

Na teoria, uma enchente, uma onda de calor ou a poluição de um rio poderiam atingir qualquer pessoa. Mas, na prática, os impactos costumam ser mais graves em territórios que têm menos infraestrutura, menos saneamento, menos áreas verdes e menor presença do poder público.

Isso significa que algumas populações ficam mais expostas a riscos que poderiam ser evitados ou reduzidos com políticas públicas.

É o caso de comunidades que convivem com esgoto a céu aberto, canais poluídos, falta de drenagem, coleta de lixo irregular, moradias próximas a áreas de risco e ausência de investimentos urbanos.

O racismo ambiental mostra que meio ambiente também é uma questão de desigualdade.

Por que o termo fala em “racismo”?

O termo usa a palavra “racismo” porque, historicamente, populações negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas foram empurradas para áreas com menos proteção, menos infraestrutura e mais riscos ambientais.

Isso não significa que todo caso de racismo ambiental seja causado por uma pessoa dizendo ou fazendo algo racista de forma direta.

Muitas vezes, o problema aparece nas escolhas do Estado, no planejamento das cidades e na forma desigual como os investimentos públicos são distribuídos.

Quando alguns bairros recebem drenagem, saneamento, arborização, obras de contenção e manutenção constante, enquanto outros passam décadas convivendo com abandono, a desigualdade ambiental se torna parte da vida cotidiana.

Como o racismo ambiental aparece nas cidades?

Nas grandes cidades, o racismo ambiental pode aparecer de várias formas.

Ele está na falta de saneamento básico. Está nas enchentes que se repetem todos os anos. Está nos rios e canais transformados em valões. Está no lixo acumulado perto das casas. Está na ausência de áreas verdes e de sombra. Está no calor extremo sentido com mais força em locais com muito concreto e pouca arborização.

Também aparece quando obras importantes demoram anos para sair do papel ou quando políticas públicas chegam de forma incompleta.

Por isso, racismo ambiental não é apenas uma discussão sobre natureza. É também sobre moradia, saúde, transporte, infraestrutura, urbanização e direito à cidade.

Racismo ambiental é só sobre enchente?

Não.

As enchentes são um exemplo muito visível, porque causam perdas materiais, interrompem a circulação, aumentam o risco de doenças e afetam diretamente a rotina das famílias.

Mas o racismo ambiental vai além disso.

Ele também envolve:

  • falta de água tratada;
  • esgoto sem tratamento adequado;
  • exposição à poluição;
  • descarte irregular de lixo;
  • ausência de coleta eficiente;
  • moradia em áreas vulneráveis;
  • falta de áreas verdes;
  • calor extremo;
  • dificuldade de acesso a serviços públicos.

Quando esses problemas se acumulam no mesmo território, eles afetam a saúde, a segurança, a renda e a qualidade de vida da população.

O que isso tem a ver com saúde?

Tem tudo a ver.

Ambientes sem saneamento adequado, com acúmulo de lixo, água parada ou poluição aumentam o risco de doenças e agravam problemas já existentes.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas costumam ser mais vulneráveis. Em muitos casos, a população acaba adoecendo por causa de problemas que poderiam ser prevenidos com infraestrutura, limpeza urbana, drenagem, saneamento e acompanhamento adequado do poder público.

Por isso, falar de racismo ambiental também é falar de SUS, prevenção e saúde pública.

Não adianta tratar apenas a doença se o território continua produzindo risco todos os dias.

O que isso tem a ver com Manguinhos?

Manguinhos é um território onde o debate sobre racismo ambiental faz muito sentido.

Quando moradores convivem com problemas relacionados a saneamento, alagamentos, canais poluídos, descarte irregular de resíduos, calor intenso e falta de infraestrutura adequada, a questão ambiental deixa de ser algo distante.

Ela aparece na porta de casa.

Aparece no caminho para a escola.

Aparece no deslocamento para o trabalho.

Aparece na saúde das crianças.

Aparece quando a chuva forte muda a rotina de uma família inteira.

Entender o racismo ambiental ajuda a mostrar que esses problemas não são naturais, nem culpa dos moradores. Eles são resultado de escolhas políticas, ausência de investimento e desigualdades históricas na forma como a cidade foi construída.

Racismo ambiental tem solução?

Tem, mas exige política pública séria e participação popular.

Combater o racismo ambiental passa por investir em saneamento, drenagem, urbanização, habitação, limpeza urbana, áreas verdes, prevenção de desastres e saúde pública.

Também passa por ouvir os moradores.

Quem vive no território sabe onde alaga, onde falta coleta, onde o esgoto retorna, onde a iluminação é ruim e onde uma obra prometida nunca foi concluída.

Sem participação da população, muitas soluções chegam de cima para baixo e não respondem ao problema real.

Perguntas frequentes

O que significa racismo ambiental?

Racismo ambiental é a forma como problemas ambientais e urbanos atingem de maneira mais intensa populações negras, periféricas, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e outros grupos historicamente vulnerabilizados.

Racismo ambiental é só nas favelas?

Não. Ele também aparece em territórios indígenas, quilombolas, comunidades ribeirinhas, áreas rurais e regiões afetadas por mineração, poluição ou falta de infraestrutura. Mas favelas e periferias urbanas estão entre os territórios mais impactados.

Enchente pode ser racismo ambiental?

Pode, quando os impactos da enchente são agravados por falta de drenagem, ausência de saneamento, moradia precária, abandono do poder público e desigualdade na distribuição de infraestrutura.

Como combater o racismo ambiental?

Com investimento público, saneamento básico, urbanização, drenagem, coleta de lixo, áreas verdes, políticas de prevenção e participação dos moradores nas decisões sobre o território.

Meio ambiente também é direito

Falar de racismo ambiental é entender que meio ambiente não é apenas floresta, rio distante ou animal em extinção.

Meio ambiente também é o lugar onde a gente mora, circula, trabalha, estuda e cria os filhos.

Quando um território não tem saneamento, drenagem, limpeza urbana e infraestrutura adequada, a população não está apenas enfrentando um problema ambiental. Está tendo direitos negados.

Por isso, entender o que é racismo ambiental ajuda a transformar problemas antigos em pautas públicas.

Em Manguinhos, essa discussão é essencial para cobrar uma cidade mais justa, onde a qualidade de vida não dependa do CEP, da cor da pele ou da renda de quem mora em determinado lugar.