Manguinhos

Observatório do Calor vai medir calor extremo em Manguinhos

Projeto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima será realizado em parceria com a UFRJ e prevê instalação de sensores, coleta de dados no território e participação dos moradores.
27/05/2026 | 14h00
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A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio anunciou a ampliação do Observatório do Calor para Manguinhos, na Zona Norte da cidade. O projeto, que começou no Complexo do Alemão, também será levado ao Salgueiro, na Tijuca. Em Manguinhos, a iniciativa será feita em parceria com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ.

A proposta é instalar sensores de temperatura e umidade para identificar ilhas de calor extremo, acompanhar parâmetros de qualidade do ar e produzir informações que ajudem na formulação de políticas públicas. Segundo a Prefeitura, o projeto combina tecnologia, participação popular e justiça climática.

Moradores vão participar da coleta de dados

Um dos pontos centrais da iniciativa é a chamada Geração Cidadã de Dados. Na prática, isso significa que moradores do próprio território participam da coleta e da análise das informações sobre o lugar onde vivem.

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, a metodologia coloca os moradores como protagonistas no levantamento de dados ambientais. A ideia é que o conhecimento de quem vive o cotidiano da comunidade ajude a mostrar onde o calor é mais intenso e quais áreas precisam de maior atenção.

No Observatório do Calor do Complexo do Alemão, moradores capacitados atuam como “agentes do clima”, coletando dados de temperatura e umidade para orientar ações de mitigação e políticas públicas.

Por que Manguinhos foi escolhido?

Manguinhos é um território urbano adensado, com poucas áreas verdes, grande circulação de pessoas e proximidade com vias importantes, como a Avenida Brasil. A Prefeitura também destaca a localização próxima ao campus principal da Fiocruz.

Essas características ajudam a explicar a importância de medir o calor de forma localizada. Em áreas com muito concreto, pouca arborização, ruas estreitas e baixa ventilação, a sensação térmica pode ser mais intensa, especialmente nos dias de sol forte.

A professora Giselle Arteiro Azevedo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, afirmou que Manguinhos é um território muito adensado e com poucos espaços verdes, e que as medições podem evidenciar desigualdades ambientais.

Dados podem orientar políticas públicas

A expectativa é que as informações coletadas ajudem a apontar pontos críticos do território, como ruas mais quentes, áreas com pouca sombra, locais de maior exposição ao calor e regiões onde a qualidade do ar exige mais atenção.

Esses dados podem servir de base para ações como plantio de árvores, criação de áreas sombreadas, melhorias em espaços públicos, intervenções urbanas e estratégias de adaptação ao calor extremo.

Segundo a Prefeitura, o objetivo central é transformar os dados coletados em políticas públicas mais eficazes.

Calor extremo também é questão de saúde

O calor intenso não afeta todos os moradores da mesma forma. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores que passam muitas horas na rua estão entre os grupos que podem sofrer mais em períodos de temperaturas elevadas.

Em dias muito quentes, aumentam os riscos de desidratação, tontura, mal-estar, queda de pressão, cansaço extremo e agravamento de problemas respiratórios ou cardiovasculares.

Por isso, mapear o calor dentro da comunidade pode ajudar a mostrar onde o problema é mais grave e onde o poder público precisa agir com mais urgência.

Experiência no Complexo do Alemão registrou calor acima de 40°C

Durante apresentação dos resultados do Observatório do Calor no Complexo do Alemão, a ONG Voz das Comunidades informou que foram realizadas 710 aferições técnicas e 740 entrevistas com moradores entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. O relatório apontou microclimas urbanos distintos dentro do território e registros de temperaturas extremas superiores a 40°C.

Em 26 de dezembro de 2025, o Observatório registrou 43,92°C no Morro do Adeus, no Alemão. No mesmo dia, segundo dados oficiais do Alerta Rio citados pela Prefeitura, a máxima na Zona Sul e no Centro foi de 34°C.

A diferença mostra como o calor pode atingir a cidade de forma desigual. Mesmo dentro do Rio, alguns territórios enfrentam temperaturas muito mais altas do que outras regiões.

Projeto une clima, tecnologia e participação popular

A ampliação do Observatório do Calor para Manguinhos coloca o território dentro de uma agenda cada vez mais urgente: a adaptação das cidades ao calor extremo.

Mais do que medir temperatura, o projeto pode ajudar a produzir evidências sobre desigualdade ambiental, saúde pública e infraestrutura urbana. Para que os resultados tenham impacto real, porém, será necessário que os dados coletados sejam divulgados com transparência e transformados em ações concretas no território.

Em Manguinhos, onde o calor já faz parte da rotina de muitos moradores, a chegada do Observatório pode ser um passo importante para mostrar, com dados, aquilo que a comunidade sente todos os dias na pele.