Vozes de Manguinhos

Vozes de Manguinhos #4 – Viviane Cruz

Nascida e criada em Manguinhos, Viviane fala sobre pertencimento, resistência, solidariedade e a luta por direitos e oportunidades no território.
14/07/2026 | 10h10
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As histórias de um território também são construídas por quem permanece, observa suas transformações e participa diariamente da vida comunitária.

Nesta edição do Vozes de Manguinhos, ouvimos Viviane, de 45 anos, nascida e criada em Manguinhos. Ao longo de sua trajetória, ela acompanhou de perto os desafios enfrentados pelos moradores, mas também a força da coletividade, a solidariedade entre vizinhos e a capacidade da comunidade de resistir e se reinventar.

Entre memórias das brincadeiras nas ruas, das conversas nas portas de casa e da união nos momentos difíceis, Viviane fala sobre pertencimento, direitos básicos, cultura local e a importância de Manguinhos produzir suas próprias narrativas.

A seguir, ela compartilha suas vivências e reflete sobre o território que conhece, defende e deseja ajudar a transformar.

1. Conte um pouco de você e da sua história em Manguinhos.

Meu nome é Viviane, tenho 45 anos, sou nascida, crescida e criada dentro da comunidade de Manguinhos. E pude acompanhar de perto toda a realidade do nosso território. Aqui, aprendi muito sobre resistência, sobre coletividade e sobrevivência. E a minha história se mistura com muitas outras histórias de outras pessoas e suas vivências diárias. Enfrentamos e superamos desafios, e nesses momentos, consigo observar a união entre os moradores, que só quem vive aqui entende.

2. Que lembranças, cenas ou sentimentos aparecem quando você pensa em Manguinhos?

Quando penso em manguinhos, eu lembro da força de muitas pessoas, adultos e crianças, que vivem em nossa comunidade, brincando nas ruas, nas conversas nas portas de casa e da solidariedade entre os vizinhos sempre que precisam um do outro. Uma pessoa que eu posso citar como exemplo e admiração é a poetisa Celeste Estrela, que escreve lindos poemas, livros e todo um conteúdo literário rico de sonhos e conhecimentos. Também vejo sentimento de luta, medo em alguns momentos, mas principalmente de pertencimento a uma comunidade que sempre te abraça e não te vira as costas. É um lugar que apesar de tudo é cheio de vida, de vida, de esperança e amor.

3. Pela sua vivência, o que em Manguinhos precisa ser mais reconhecido, cuidado ou valorizado?

A potência do território precisa ser mais valorizada. Os diversos trabalhadores, os projetos sociais, a cultura local e a inteligência coletiva da comunidade. Também é necessário mais cuidados com os direitos básicos, por exemplo, a saúde, a educação, a segurança, infraestrutura e habitação. Sempre com respeito e dignidade a quem vive aqui, ouvindo o morador e de fato atendendo às suas reais necessidades. Não apenas impondo o que a máquina costuma impor. A máquina pública costuma impor para as comunidades.

4. Por que é importante que Manguinhos produza suas próprias narrativas?

É muito importante que Manguinho produza suas próprias narrativas, porque por muito tempo, falaram sobre Manguinhos sem conhecer a realidade da nossa comunidade. Falaram de Manguinhos como se Manguinhos fosse única e exclusivamente definido em violência. Produzir as nossas próprias falas é garantir que a verdade venha de quem vive o dia a dia dentro do território. É mostrar que somos muito mais do que violência. Nós somos cultura, nós somos história, somos luta, transformação, resistência e poder. A comunicação comunitária do Manguinhos Online dá voz a quem sempre foi silenciado.

5. Que Manguinhos você gostaria de ver no futuro?

Eu gostaria de ver um manguinho com mais oportunidades. Onde os jovens têm acesso à educação, a cursos, ao desenvolvimento profissional e cultural, e oportunidade de trabalho digno. Um território com paz, com alegria, com incentivo público e com políticas públicas funcionando, e com muito mais reconhecimento da riqueza cultural do ser humano. Um lugar onde viver bem não seja exceção, mas seja a realidade.

6. Que mensagem você deixaria para as pessoas que vivem e constroem Manguinhos?

Eu gostaria de dizer para as pessoas que continuem resistindo, continuem ressignificando, continuem se apoiando e acreditando na força da nossa comunidade. Manguinhos é feito por cada pessoa que não desiste, que luta e que constrói diariamente no nosso território. Nossa voz importa e muito, e juntos somos e sempre seremos muito mais fortes.

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A fala de Viviane apresenta Manguinhos como um território marcado por desafios, mas também por vínculos, solidariedade e resistência coletiva.

Ao recordar as brincadeiras nas ruas, as conversas entre vizinhos e o apoio presente nos momentos mais difíceis, ela mostra que a vida comunitária é uma das principais forças do território. Sua trajetória se mistura às histórias de outras pessoas que constroem Manguinhos diariamente, mesmo diante da ausência de direitos e oportunidades.

Viviane também reivindica que os moradores sejam ouvidos na formulação das políticas públicas e que a comunidade deixe de ser representada apenas pela violência. Para ela, produzir as próprias narrativas é afirmar que Manguinhos também é cultura, memória, inteligência, transformação e poder.

Sua mensagem final reforça que a mudança nasce da participação coletiva. Continuar resistindo, apoiando iniciativas locais e reconhecendo o valor de cada morador são formas de fortalecer o território e construir um Manguinhos onde viver com dignidade seja uma realidade, e não uma exceção.